Se depender do retrospecto, o torcedor do São Paulo pode ficar tranqüilo para o compromisso desta quarta-feira (2/8) contra o Chivas, pelas semifinais da Libertadores da América. Em jogos da fase de mata-mata da competição sul-americana, o Tricolor nunca perdeu como mandante. Caso essa escrita seja mantida, o clube paulista alcança mais uma final.
No total, são 22 jogos em casa (somente um no Pacaembu, na final da Libertadores de 1974 contra o Independiente), com 21 vitórias e somente um empate. O único tropeço ocorreu nas semifinais da edição de 2004, com o empate por 0 x 0 diante do Once Caldas, da Colômbia, o campeão daquele ano.
Desde a vitória da semana passada contra o Chivas no México, o São Paulo mantém um discurso cauteloso. Mas ninguém esconde no elenco a confiança de se atuar em casa. “Sabemos das qualidades do Chivas, que ataca bastante, com homens de surpresa. Mas eles também sabem que somos fortes no Morumbi”, lembrou o meio-campista Danilo.
Desta forma, com a esperada presença de 70 mil torcedores, o São Paulo não pretende mudar seu estilo de jogo ofensivo no Morumbi e promete buscar o gol apesar da vantagem. “Quem entra para empatar, acaba perdendo. Cada gol que fizermos, será melhor para nós na partida”, receitou Danilo, o artilheiro são-paulino na temporada 2006 com 12 gols.
Levando-se em conta a história, a defesa são-paulina também cresce durante os jogos em casa na etapa eliminatória da Libertadores. Nos 22 confrontos de mata-mata, o time do Morumbi levou somente nove gols (média de 0,4) na capital paulista. “Vamos precisar de equilíbrio, inteligência. Sabemos que 1 x 0 é um resultado pequeno, precisamos jogar, mas também não podemos deixar nossa retaguarda livre”, opinou o zagueiro Lugano, sobre a melhor estratégia da decisão.
Alerta
Na história da Libertadores desde 1960, apenas em três oportunidades a equipe que perdeu o primeiro jogo em casa conseguiu a reviravolta para sair vencedor do confronto, a mesma situação da semifinal São Paulo e Chivas. Por coincidência, duas delas envolveram brasileiros. A primeira aconteceu com o São Caetano, na final de 2002. O Azulão venceu o Olímpia por 1 x 0 no Paraguai, mas levou o troco por 2 x 1 no Pacaembu e acabou superado nos pênaltis.
No ano seguinte, foi a vez do Paysandu sentir o gosto amargo de tomar uma virada. Nas oitavas-de-final, o Papão alcançou um feito histórico ao bater o Boca Juniors por 1 x 0 em Buenos Aires. Só que, na semana seguinte, foi goleado em Belém por 4 x 2 e eliminado do torneio.
No São Paulo, o elenco demonstra maturidade em respeitar o Chivas, mas, em nenhum momento, pensa em repetir os destinos amargos de São Caetano e Paysandu. “Essa coisa de ser eliminado não passa na nossa cabeça agora, como não passava no México e não passou contra o Estudiantes. Cerca de 15 milhões de são-paulinos torcem por nós. Estamos confiantes e faremos tudo para retribuir”, afirmou Lugano.