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Futebol

Relatório sobre tragédia de Hillsborough é aberto e mostra que polícia teria alterado provas

Arquivo Geral

12/09/2012 15h51

Nesta quarta-feira (12) foi divulgado relatório sobre a tragédia de Hillsborough, que resultou na morte de 96 torcedores do Liverpool durante jogo contra o Nottingham Forest, no dia 15 de abril de 1989, pela Copa da Inglaterra. De acordo com o documento, diferentemente do que antes era alegado, as autoridades no local tiveram grande responsabilidade no incidente e não somente as pessoas no estádio.

 

Naquele confronto, realizado em Sheffield e válido pela semifinal da FA Cup, houve uma superlotação no setor destinado aos torcedores dos Reds. Com isso, as pessoas que estavam próximas ao alambrado do estádio acabaram sendo esmagadas ou pisoteadas, diante do número acima do esperado.

 

A partida foi iniciada às 15h (horário local), mas seis minutos depois o árbitro paralisou o confronto e mandou os atletas saírem do campo. Torcedores passaram a tentar pular o alambrado para entrar no campo diante do excedente de pessoas. O número de vítimas fez com que esta se tornasse a maior tragédia em esportes no país.

 

O veredicto inicial era de que as mortes teriam sido acidentais e que torcedores bêbados haviam chegado após o horário e tentado entrar à força, sendo responsabilizados pelo começo da confusão. Era alegado, porém, que faltavam provas para a criação de um processo. As famílias das vítimas nunca aceitaram a análise e pediram esclarecimentos ao longo dos anos.

 

Para chegar a esta conclusão a polícia britânica teria alterado depoimentos e provas da investigação para não ser culpada. Este atual relatório teve acesso a 450 mil documentos oficiais sobre Hillsborough e ficou constatado que além da falha das autoridades locais, das 96 pessoas que morreram, 41 poderiam ter sobrevivido.

 

Antes, fora dito que 15h15 foi o tempo máximo para tentar socorrer os acidentados – depois disso, não seria mais possível salvá-los. Segundo o documento, porém, nem todas as vítimas faleceram rapidamente. Algumas delas ficaram inconscientes por período significativo, além do horário citado, e poderiam ter sido ressuscitadas.

 

Diante das falhas divulgadas pela nova análise da tragédia, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, pediu desculpas pelo governo. “Foi errado que as famílias tenham sido obrigadas a esperar tanto tempo, e tenham lutado tanto, apenas para conseguir a verdade. Também não foi certo a polícia ter alterado os depoimentos do que aconteceu para culpar os fãs. Em nome do governo, e de nosso país, peço profundas desculpas por esta dupla injustiça que demorou tanto tempo para ser corrigida”, disse, em depoimento no parlamento.

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