Nelson Rodrigues, um dos maiores escritores brasileiros, tinha como um de seus lemas boleiros que “a unanimidade é burra”. Hoje em dia, as opiniões mundo afora são quase unânimes em dizer que as seleções de Espanha e Alemanha praticam o melhor futebol do mundo. Outra máxima do “Anjo Pornográfico” era que, “se os números me desmentem, pior para os números”. Objetivamente, não há como contestar, já que os dois países lideram o ranking da Fifa.
O espelho disso tudo é que os quatro classificados para as semifinais da Liga dos Campeões da Europa vêm destas duas nações. Na terça-feira, Real Madrid e Borussia Dortmund haviam garantido a vaga. Ontem, Barcelona e Bayern de Munique também conseguiram avançar à fase seguinte ao passarem por Paris Saint-Germain e Juventus, respectivamente.
Amanhã, um sorteio na sede da Uefa, na cidade de Nyon, na Suíça, definirá os confrontos semifinais. A grande decisão será disputada no dia 25 de maio, um sábado, no Estádio de Wembley, em Londres.
Festa catalã, com sufoco
O temor do torcedor do Barcelona se confirmou na escalação: Messi não seria titular. Mas pelo menos estava no banco de reservas – o que se mostraria necessário no futuro. Sem seu principal jogador, Tito Vilanova inovou na escalação, com Adriano como zagueiro central ao lado de Piqué. Para a vaga do argentino, Fàbregas foi a aposta.
Só que era o PSG quem agredia mais. Precisando do resultado, via o Barça com mais posse de bola e saía no contra-ataque. Foi assim que a equipe francesa conseguiu sair na frente, com Pastore. Eram cinco minutos da etapa final. E logo na sequência, Messi ajeitava o meião.
A entrada dele na vaga de Cesc mudou o jogo para o time catalão. Foi a senha para o resultado que lhe favorecia. Foi o camisa 10 quem limpou três marcadores e tocou para David Villa ajeitar para Pedro fuzilar de canhota e decretar o 1 x 1, aos 21 minutos da etapa derradeira, que garantiu o Barça na semi.
Repeteco
Mesmo em Turim, casa da Juventus, o Bayern de Munique mandou no jogo e fez 2 x 0 – placar igual ao da ida. Os gols foram de Mandzukic e Pizarro.
Catalisador catalão
Que o Barcelona é um grande time, ninguém discorda, mas mesmo uma equipe entrosada há anos e com jogadores de grande qualidade em todos os setores fica refém de ter um craque às vezes. No empate por 1 x 1 com o PSG, o que se viu foi um Barça antes de Messi entrar em campo, aos sete minutos da etapa final, e outro com ele.
E mesmo os jogadores catalães admitem que ter o camisa 10 em campo foi fundamental para conquistar a vaga na semifinal da Liga dos Campeões. “Ele (Messi) foi o catalisador. Nós mudamos depois que ele entrou e temos que agradecê-lo por isso”, comentou o atacante Pedro.
Pelo lado do PSG, sobraram orgulho e lamentação misturados. Os franceses acreditam que faltou pouco para conseguir sair do Camp Nou com a vaga. “Não tivemos medo deles e jogamos nosso próprio jogo. O Barcelona estava nervoso e quase foram eliminados”, disse o lateral-direito Jallet.
O suficiente
No outro jogo, o Bayern de Munique fez o que era necessário para passar pela Juventus, como atestou o goleiro Neuer. “Não precisávamos jogar tão ofensivamente, mas tínhamos tudo sob controle”, analisou.