Antes de mais nada, Rogério Ceni é goleiro. Parece óbvio, mas o são-paulino ultimamente vem sendo analisado mais pelo trabalho com os pés do que por aquele feito com as mãos. Essa é a opinião de Muricy Ramalho, de volta ao clube onde acompanhou parte da trajetória do ídolo.
“Só se fala do Rogério batendo pênalti e falta, mas o quanto ele está agarrando, ninguém fala. E ele está agarrando muito, que é o que ele tem que fazer, o que ele está fazendo de melhor. Estamos discutindo o Rogério como se fosse um cara de linha, mas, como goleiro, ele está muito bem”, disse o treinador, nesta terça-feira.
Mas é Ceni quem tem se exposto longe das traves. Mesmo depois de ter desperdiçado dois pênalti seguidos (contra Bayern de Munique, em 31 de julho, e Portuguesa, em 11 de agosto) e perdido o posto de primeiro batedor sob comando de Paulo Autuori, ele voltou a tentar – e errar – outra cobrança na semana passada, na derrota para o Criciúma.
Para isso, Muricy não fecha os olhos. Tanto que, já para a partida de quinta-feira, frente à Ponte Preta, no Morumbi, ele conversará com Ceni a fim de saber como está o goleiro-artilheiro. Assim, chegará a uma definição de quem será o dono da bola em uma eventual penalidade máxima.
“Estou vendo o São Paulo jogar, estou vendo ele perdendo pênaltis. Uma coisa muito importante é treinamento. O Rogério é batedor de falta e pênalti porque treina. Preciso ver os treinamentos. Se estiver bem, não tem problema. Bate quem estiver melhor. Mas é claro que sempre se é falado antes. No futebol, não tem essa de ‘vamos lá’. Isso não existe. Até barreira é treinada hoje em dia”, frisou.
Para Muricy – que o conhece “desde garoto” -, outro excesso nos comentário sobre Ceni é quanto à suposta influência que ele exerceria nos rumos do clube, crítica esta feita por Ney Franco, pouco depois de demitido.
“Sei da personalidade dele. É um jogador muito profissional no que faz. Não é ídolo por acaso, construiu isso. É um exagero dizer que ele tem muita influência no São Paulo. Ele tem influência boa perante os jogadores. Jogador que chega sempre olha para ele para ver como se portar. Ele é o primeiro a chegar, treina muito, nunca chia de concentração, é preocupado”, defendeu.