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Futebol

Presidente da Bolívia revoltado com decisão da Fifa de não realizar jogos em altitude superior a 2.5

Arquivo Geral

28/05/2007 0h00

Como era de se esperar, a decisão da Fifa de proibir a realização de partidas de futebol em altitudes superiores a 2, 5 mil metros do nível do mar não foi bem recebida pelos dirigentes de países afetados pela decisão. O protesto mais alto veio da Bolívia, onde o presidente Evo Morales pediu uma união de mais nações afetadas pela medida (Equador, Colômbia e Peru) para boicotar a entidade máxima do futebol mundial. “Vamos consultar os países e cidades afetadas pela resolução da Fifa para assumir uma posição, possivelmente convocando uma reunião aqui, em La Paz”, revelou Morales, após reunião com autoridades esportivas da Bolívia, na tarde desta segunda.

Fanático por futebol, Morales quer estender o diálogo à toda a América Latina, segundo ele ‘manchada’ com a posição da Fifa. “Conclamo os presidentes das nações irmãs da Argentina, Brasil e dos outros países da América Latina, conclamo a Fifa para rever a decisão, já que os povos que vivem nessas altitudes não podem ser excluídos do esporte”, disse.

Talvez o chefe de Estado boliviano ignorou o fato de quem começou a guerra contra a altitude foi um clube brasileiro. Após empatar em 2 x 2 com o Real Potosí pela Taça Libertadores, o Flamengo anunciou boicote à partidas realizadas fora de uma altitude considerada satisfatória. O Comitê Executivo da Fifa vetou jogos acima de 2,5 mil metros por ‘questões médicas’. Na Bolívia, por exemplo, a capital La Paz fica a 3.577 mil metros do nível do mar.

Em tom mais ameno, mas nem por isso menos crítico, o presidente da Federação Equatoriana de Futebol (FEF), Luis Chiriboga, também criticou a Fifa. “Defenderemos até a morte nosso direito de jogar futebol em altitudes superiores a 2.500 metros e o direito de jogar em Quito (2.800 m) pelas eliminatórias de Copa do Mundo, como vínhamos fazendo. Não há nenhum fundamento científico para estabelecer que é mal para o corpo jogar acima de 2.500 metros. Que a Fifa me demonstre cientificamente seu argumento”, provocou.

Chiriboga está em Zurique, participou da reunião do Comitê e já agendou uma reunião com o presidente Joseph Blatter para tentar reverter a decisão. “Estamos revendo o tema e não nos disseram que jogadores morreram por jogar em altitudes elevadas, mas há casos de jogadores que faleceram por jogar no plano com excessivo calor”, disse.

Quem parece não se importar com a decisão da Fifa é a Colômbia. Seu treinador, Jorge Luis Pinto, minimizou a medida e garante que a equipe jogará em Barranquilla. “Sempre tivemos claro na cabeça que se não podemos jogar em Bogotá, a primeira alternativa é Barranquilla. Se pudermos jogar nos dois locais, melhor”, explicou.

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