O advogado que representava a Portuguesa no dia do julgamento de Héverton, no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), Osvaldo Sestário, revelou que o então presidente do clube, Manuel da Lupa, e Valdir Rocha pediram para que ele assumisse o erro pela escalação irregular do jogador, que culminou com a perda de quatro pontos e o rebaixamento da Lusa à Série B do Campeonato Brasileiro. O Ministério Público de São Paulo ainda vai ouvir Sestário.
“Eles me pediram mais de uma vez para que eu ajudasse e assumisse a culpa. Prometeram que iam me ajudar, falando da minha conduta. Eu disse que não poderia fazer isso, porque eu iria assumir um erro que eu não cometi, seria ruim para a minha carreira e não ajudaria a Lusa. Até entendo o lado deles, pelo desespero da situação”, disse em entrevista ao site da ESPN.
Além da revelação, o ex-advogado da Portuguesa contou que Rocha chegou a brincar sobre a falta de importância da punição aplicada a Héverton, já que o objetivo, na época, era conseguir um efeito suspensivo para Gilberto. Para acompanhar a situação do atacante, o clube enviou um representante.
“Durante o julgamento do Héverton, o Valdir me ligou algumas vezes para saber da situação do Gilberto, e eu logo passei o resultado do outro. Ele brincou dizendo: ‘(O Héverton) Não tem problema, esse tá indo embora, não joga nada, podia pegar dez ou 20 partidas’ e disse para eu focar em colocar o Gilberto em campo”, contou.
Osvaldo Sestário aguarda o chamado de Roberto Senise, do Ministério Público (que investiga o caso e desconfia que pessoas ligadas à Portuguesa podem ter contribuído com o grave erro da escalação), para depor. “Vou colaborar com tudo. O promotor disse que já tem toda a história, só falta me ouvir”, finalizou.