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Futebol

Portuguesa completa 86 anos lutando pela sobrevivência

Arquivo Geral

14/08/2006 0h00

No dia em que a Portuguesa de Desportos completa 86 anos, o clima entre os torcedores está longe de ser o de festa. Rebaixada à Série A-2 do Campeonato Paulista pela primeira vez na história, além de ocupar a zona do descenso durante toda esta temporada da Série B, a Rubro-verde luta diariamente para sobreviver, ameaçada pela falta de recursos, aumento crescente das dívidas e, o lado mais triste, a ausência de torcida.

Diferente de outras épocas, o lado social não consegue mais sustentar o futebol profissional. Se no passado eram aproximadamente 80 mil sócios pagando em dia, hoje eles não passam dos seis mil. A Portuguesa está sem patrocinador desde o término do Campeonato Paulista e, para melhorar o frágil elenco montado para a Segundona, a torcida precisou organizar uma “vaquinha” para contratar o atacante Alex Alves, um dos poucos ídolos do clube após a derrocada do século 21.

O último grande momento da Rubro-verde foi em 1998, quando a equipe chegou à terceira colocação tanto no Paulistão como no Brasileirão. Antes disso, em 1996, a maior glória do clube do Canindé: o vice-título Nacional, perdido para o Grêmio, no estádio Olímpico. Em comum com aquela época apenas o treinador, Candinho, que assumiu o comando na última quarta-feira, após a demissão de Luís Carlos Barbieri.

Manuel da Lupa assumiu a presidência da Portuguesa em 2004 e desde então vem lutando para ao menos amenizar a dívida de R$ 200 milhões que o clube ostenta. No Brasil, o montante em débito é menor apenas ao do Flamengo. O ápice de sua gestão aconteceu na última temporada, com a chegada à fase final da Segundona. “Foi difícil assumir o clube daquele jeito, mas as dívidas são todas antigas. Da nossa administração, está tudo em dia”, assegurou o dirigente, ao jornal O Estado de S. Paulo.

A folha salarial da Portuguesa é uma das mais altas da Série B, algo em torno de R$ 800 mil. Os gastos com o departamento de futebol chegam próximo da casa do milhão, devidamente quitados graças às doações e ajudas de empresários com ascendência portuguesa ou simpatia pelo clube. Outras fontes de renda, como dinheiro de TV e bilheteria, não fazem parte do cotidiano do clube, que vê essa quantia ser confiscada por oficiais de Justiça para pagamentos de algumas das cercas de 200 ações movidas contra a agremiação.

Ações essas movidas até mesmo por ex-revelações, insatisfeitas com o atraso nos salários. Formar atletas em casa sempre foi uma tônica da Lusa, que viu surgir, entre outros, nomes como Zé Maria, Zé Roberto, Rodrigo Fabri, Leandro Amaral, Dener, Enéas, Leivinha, Djalma Santos de suas divisões inferiores. O caso mais recente é de Ricardo Oliveira, que largou a Rubro-verde para se transferir ao Santos em 2003.

Mesmo sem conquistar um título há 33 anos (o último fora o Paulistão de 1973, dividido com o Santos), passar por momentos de extrema penúria – o clube chegou a ter sua luz e água cortada por falta de pagamento -, acertar parcerias perigosas com empresários e viver a ameaça de um segundo rebaixamento seguido, no mesmo ano, a Portuguesa pode e deve festejar o seu aniversário.

Se o presente deixa a desejar, o torcedor pode lembrar, com orgulho, dos grandes ídolos do passado, dos momentos de glórias e até de títulos memoráveis, como as três conquistas da Fita Azul, prêmio oferecido pelo jornal A Gazeta Esportiva aos clubes brasileiros de melhor campanha no exterior. Motivos pelos quais valem a pena lembrar do dia 14 de agosto de 1920, quando diversas agremiações da colônia lusitana resolveram se reunificar em apenas uma, amada e respeitada mesmo com os momentos de abalo.

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