Se não fosse técnico de futebol, o domingo de 5 de outubro, dia de eleições municipais, provavelmente seria fundamental para a carreira de Mano Menezes. “Sempre gostei muito de política porque cresci em uma família que apreciava esse lado. Provavelmente faria alguma coisa nesse sentido caso não desse certo no futebol”, revelou nesta sexta-feira o treinador do Corinthians.
Mano aprendeu com a profissão que não seguiu. Empregado por um clube em que a política interna atravessa crise constante, ele usa de ardil semelhante ao de quem está ou almeja chegar ao poder para fugir dos problemas de bastidores. Recusa-se a comentar as eleições presidenciais corintianas do próximo ano, a maneira como a diretoria lida com a caótica situação financeira e até a iniciativa de colocar mais uma estrela na camisa da equipe, em homenagem à provável conquista da Série B.
“A política está presente no nosso cotidiano. Todos temos relações políticas em nossas vidas. O que eu não me envolvo é na política do clube”, argumentou Mano Menezes, na resposta mais política da entrevista coletiva que concedeu antes do jogo contra o Marília.
A política do Corinthians, entretanto, poderá determinar o futuro da carreira de Mano como técnico. Com contrato até o final do ano, ele conta com a simpatia do presidente Andrés Sanchez para continuar no comando da equipe. Resta saber o tempo de vigência do novo vínculo, que poderia ser mais curto do que o pretendido para não gerar conflito com oposicionistas. “O certo é que o profissional deve decidir a sua permanência ou não com a diretoria que está em exercício. Não vejo outro caminho que não seja esse. Mas não me evolvo em questões políticas porque elas não me cabem”, repetiu o treinador.
Mano Menezes também pretende renovar seu contrato com o Corinthians, uma vez que projeta mais sucesso na profissão que escolheu em detrimento da política. “Quero a perspectiva de continuar fazendo um bom trabalho e produzindo resultados. A parte financeira é importante, mas não essencial para um técnico em início de carreira. Quando você está no final, pode só pensar em colocar mais algum na conta. Agora, não”, explicou.
Embora o candidato a técnico do Corinthians na próxima temporada não esteja envolvido na política do modo que pregavam as suas raízes, a diretoria acompanha as eleições municipais como poucos clubes fazem. Simpatizante do PT para o pleito em São Paulo, o presidente Andrés Sanchez convidou Marta Suplicy e os deputados José Genoino e Aldo Rebelo para o banquete de 98º aniversário do time, no início da semana. O ministro dos Esportes Orlando Silva também estava presente.