Os torcedores que acompanharam o jogo entre Brasil e Uruguai pelas Eliminatórias da Copa 2010 na noite de quata-feira, no Morumbi, em São Paulo, aprovaram o esquema montado para o evento. Candidato a receber a cerimônia de abertura da Copa de 2014, o estádio paulista passou por algumas reformas já focadas nas exigências do Caderno de Encargos da Fifa.
Entre as reformas realizadas estavam a ampliação dos bancos de reservas, que passaram a ter capacidade para 22 jogadores. As tribunas do piso térreo também foram adaptadas e ganharam mais espaço, mas as principais alterações ocorreram no vestiário principal. Na área de aquecimento, o piso foi substituído por grama sintética, o departamento médico recebeu novo revestimento e foram trocados móveis e equipamentos na sala de reuniões e no próprio vestiário.
Mesmo sem ter acesso a todas estas modernizações, os torcedores do Uruguai não titubearam em classificar o Brasil como um país pronto para organizar uma Copa do Mundo. “Claro que o Brasil tem como receber a Copa e acho que isso é o melhor que pode acontecer para toda a América Latina”, afirma categórico o uruguaio Gustavo Franco. “Vai ser uma maneira de provar para a Europa e os Estados Unidos que aqui não tem só índio. Porque eles acham que na América Latina só tem isso”.
O empresário Aldo Lebed concorda. “O Brasil tem tudo para fazer e bem. Vocês reúnem todo o potencial necessário”, afirma, dando nota dez para a organização do jogo pela eliminatória. Mas nem todos são unânimes na avaliação. Marcos Benhaim concorda que o país tem capacidade para promover um bom evento, mas lembra que é necessário pensar nos detalhes externos que fazem a diferença.
“Levei duas horas e meia para chegar de Higienópolis até aqui (Morumbi)”, lembrava revoltado pouco antes de entrar no estádio para acompanhar a derrota do Uruguai por 2 x 1 para o Brasil. Palmeirense e acostumado a assistir grandes clássicos no Cícero Pompeu de Toledo, Benhaim ressaltou que o respeito à torcida, da casa ou adversária, é fundamental. “A localização da torcida visitante é horrível (numerada do setor amarelo, praticamente no nível do campo). Além disso, é impossível estacionar perto daqui e é bom melhorar o esquema de segurança”.
O projeto de modernização do estádio para 2014 prevê a construção de uma garagem subterrânea próxima ao Morumbi. Mas os problemas de visibilidade ainda não foram abordados na programação.
Análise dos donos da casa: Mais acostumados aos problemas no Morumbi, os torcedores brasileiros também ficaram satisfeitos com a organização do evento. Com um efetivo extra de quase 2.700 homens, a polícia conseguiu reprimir um problema crônico na capital paulista: a ação dos guardadores de carro nas imediações do estádio são-paulino. “Parei meu carro em uma rua próxima e, desta vez, não paguei nada”, comemorou o mecânico Ronaldo Nunes de Oliveira.
Para o professor André Lemos, chamou a atenção o grande número de fiscais de trânsito. “A polícia está organizada, mas tem muita gente multando por aí”, observou o torcedor, que também destaca a diferença do público que vai ao jogo da seleção brasileira. “É um pessoal mais de elite, o que traz menos problemas”, emendou.
Radicado no Rio de Janeiro, o gaúcho Ricardo Colares aproveitou uma viagem pelo trabalho para acompanhar o jogo da seleção brasileira na capital paulista. O economista ficou satisfeito com o tratamento ao torcedor, mas observou um problema no Morumbi. “O estádio não está bem localizado”, definiu o torcedor. Contudo, as autoridades acreditam que a locomoção ao local ficará facilitada após 2011, prazo para o início de funcionamento da linha quatro (amarela) do metrô.