Os primeiros anos de disputa do Campeonato Brasileiro no atual formato deram a impressão de que os pontos corridos abririam uma era de muitos gols para os homens de frente do futebol do país.
Nas duas primeiras edições, os “matadores” Dimba e Washington anotaram 31 e 34 gols, respectivamente, nas edições de 2003 e 2004. É do Coração Valente, inclusive, a marca de maior artilheiro da história do certame. No ano em que Diego e Robinho roubaram a atenção dos torcedores pela primeira vez e ajudaram o Santos a conquistar o caneco, o brasiliense bateu o recorde que anteriormente pertencia a Edmundo, que anotou 29 gols no título brasileiro do Vasco, em 1997.
Nos anos seguintes, porém, o número caiu drasticamente. O artilheiro em 2005, por exemplo, foi Romário. O baixinho, entretanto, balançou as redes adversárias “apenas” 24 vezes. Depois de Washington, nenhum outro atleta conseguiu alcançar a marca de 30 tentos no campeonato. O que passou mais perto foi justamente Romário, que ficou a seis do número “mágico”.
Neste ano, a marca de artilheiro com menor número de gols na história do Brasileirão corre o sério risco de ser batida. Se terminasse hoje, a Série A do país teria três artilheiros, repetindo o que já havia ocorrido em 2008, quando Keirrison, Kléber Pereira e Washington anotaram 21 gols cada.
O número de gols, porém, é o que chama mais atenção. Fred, Henrique e Ricardo Goulart, principais preocupações das zagas rivais, marcaram 15 gols cada. A quantidade é inferior à marcada por Souza, artilheiro do campeonato em 2006, com 17 gols, dono da “pior” artilharia dos pontos corridos até o momento.
Há ainda duas rodadas a serem disputadas e os artilheiros provavelmente estarão em campo. Ricardo Goulart talvez não, porque pode ser poupado depois da final da Copa do Brasil, mas os outros dois são fundamentais para Fluminense, na briga por uma vaga na Libertadores e para o Palmeiras, na luta contra o rebaixamento à Série B.
Especialista explica
Atualmente militando no futebol candango, sem dar pistas de qual clube vai defender no Candangão 2015, mas garantindo que estará em campo, Dimba não deixou de relembrar os 31 gols marcados em 2003.
“Foram 31 por causa da minha lesão na clavícula, que fez eu ficar parado um mês e meio. Se não fosse ela, eu teria marcado 40”, disse, aos risos.
Sobre a “seca” dos atacantes do Brasileirão deste ano, ele procurou ser didático, usando como exemplo os “esquemas robóticos”, como ele mesmo quis dizer.
“Fica muito difícil afirmar alguma coisa. Acho que há uma série de fatores envolvidos. Hoje, há uma preocupação muito grande em segurar o cargo, e falo de jogadores e técnicos. Muito jogador pensa muito em fazer só o que técnico quer e não quer ser um pouco mais audacioso. Isso também prejudica”, opina Dimba.
Os artilheiros
Ano a ano
2003 Dimba, 31 gols
2004 Washington, 34 gols
2005 Romário, 24 gols
2006 Souza, 17 gols
2007 Josiel, 20 gols
2008 Keirrison, Kléber Pereira e Washington, 21 gols
2009 Adriano e Diego Tardelli, 19 gols
2010 Jonas, 23 gols
2011 Borges, 21 gols
2012 Fred, 20 gols
2013 Éderson, 21 gols