O calvário do volante Carlos Alberto longe dos gramados está próximo de chegar ao fim. No começo da noite desta segunda-feira, o meio-campista concedeu entrevista no Parque São Jorge para manifestar seu alívio com a conversão de metade de sua suspensão em pagamento de cestas básicas. Aguardando a oportunidade de voltar a uma partida oficial, o jogador tem na ponta a língua o sentimento que expressará ao retornar aos trabalhos.
“Eu vou me sentir um sobrevivente, como se tivesse saído do inferno. Vai passar muita coisa pela minha cabeça”, afirmou. Carlos Alberto fora condenado em novembro do ano passado a cumprir 360 dias de suspensão por ter sido flagrado com a documentação adulterada, ainda quando atuava pelo Figueirense.
Na semana passada, o presidente do Superior Tribunal de Justiça Desportiva, Rubens Approbato Machado, reverteu metade do gancho em pagamento de 100 cestas a uma instituição. O volante estará oficialmente liberado para jogar depois de enviar ao STJD um comprovante da doação. “Eu já comprei hoje (segunda) e acho que vou entregar amanhã ou na quarta, para assim poder jogar no domingo. Agradeço ao presidente (Approbato), ao Corinthians e ao Figueirense. Isso sem contar que vou poder ajudar alguém com as cestas”, comentou.
Aos 29 anos, Carlos Alberto reconhece que, se não tivesse revertida metade de sua pena, não daria seqüência à carreira dentro de campo. “Se fosse para cumprir um ano, eu iria parar mesmo. Ficaria muito complicado e eu teria de pensar bastante”, resumiu. “Passei duas semanas chorando direto na casa de um colega em Florianópolis (quando saiu a pena)”, acrescentou o jogador, sem esconder o jeito tímido. “Eu sempre fui assim de falar baixo, desde criança”, finalizou.