Pedro Marra
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Quando se fala em peneira no Distrito Federal, jovens jogadores enchem os campos com um sonho em comum: conseguir oportunidades para atuar em grandes clubes do país. Entre os dias 2 e 29 de outubro, as peneiras do Futebol City foram mais uma oportunidade. Garotos de 9 a 23 anos participaram do desafio em busca de ingressar nas categorias de base de um clube brasileiro.
O evento resultou em 48 propostas para 25 atletas, observados por olheiros de clubes de oito clubes nacionais. Representantes de Corinthians, Flamengo, São Paulo, Internacional, Botafogo, Figueirense, Joinville, Coritiba, Figueirense e Vitória analisaram a atuação dos jogadores durante o mês.
O organizador das peneiras, Victor González, analisa o futebol brasiliense como formador de talentos. “A gente tem que criar uma academia preparatória por meio do esporte e da educação, para investir cada vez mais no futebol, com estrutura capacitada, onde os jovens não treinem numa várzea”, opina.

João Marcelo Teles foi escolhido pelo Flamengo. Foto: Divulgação
Um dos aprovados no Futebol City é o atacante João Marcelo Teles, 13 anos, que fez 4 gols em três jogos. O Flamengo foi o clube que o escolheu para fazer teste entre janeiro a maio do ano que vem. “Desde pequeno eu já pensava em jogar em um grande clube. O meu maior sonho é chegar à Seleção Brasileira e ganhar uma Copa do Mundo”, conta, emocionado.
O atacante tem contato com a bola desde os cinco anos de idade. A experiência dele, até então, rendeu participação em duas peneiras, uma do Esportivo Brasil-SP, em agosto deste ano, e outra em setembro de 2016, para jogar na base do Fluminense-RJ. Passou nas duas e escolheu o rubro-negro carioca como destino, mas, por conta dos estudos e dos custos, ele decidiu continuar jogando em Brasília. Agora, com 14, os pais de João acreditam que o momento é mais oportuno. Vale lembrar que antes dos 14 anos, os responsáveis que custeiam todos os gastos. Já acima dessa idade, podem ficar no Centro de Treinamento (CT) custeados pelo clube.
A mãe de João, Maísa Teles se sente orgulhosa e relembra os problemas que a paixão pelo futebol causavam dentro de casa. “A maioria dos meus quadros e enfeites dos raques quebraram quando ele treinava falta com o pai”, recorda.
Outro garoto selecionado é o zagueiro Kael Rechden, 13 anos, que logo aos 4 anos começou a jogar futebol. Selecionado para fazer testes no Coritiba e Internacional, o jovem viaja para Porto Alegre no dia 11 de dezembro, onde será analisado durante uma semana – não há previsão para o período de testes no Coxa. Ele se espelha nas atitudes do também zagueiro David Luiz. “Lembro quando ele (David Luiz) tirou uma bola bem difícil que já estava praticamente dentro do gol na Copa de 2014 e falei para mim mesmo que faria igual.”
A mãe de Kael, Katia Ferreira, recorda os ‘problemas’ que o filho dá em casa. “Já quebrou vidros, copos, e até deixou as paredes marcadas. É bola para todo lado, de futebol, tênis, etc. Porque, segundo ele, é preciso aprimorar o domínio”, conta ela, que vê a oportunidade para o filho como um desafio profissional e moral. “Será necessário para o crescimento dele, que sempre diz para mim que nunca deixará o dinheiro subir à cabeça”, opina a mãe.
O goleiro Arthur Brendon, 11 anos, foi chamado pelo Internacional, Flamengo, Vitória e Coritiba. Ele já tem experiência em duas avaliações: Desportivo Brasil-SP e Vasco da Gama-RJ – tendo passado no primeiro teste . “Vou procurar aproveitar todos os momentos e me dedicar aos treinos. Almejo jogar no Internacional e, futuramente no exterior”, afirma ele.