Nos primeiros meses à frente da seleção brasileira, Dunga chegou a apontar como uma de suas virtudes a aposta insistente em um mesmo grupo de convocados. Às vésperas das Olimpíadas, no entanto, tornou-se inevitável fazer testes com mais freqüência. Pelé considera a postura equivocada.
No sábado, a não muito mudada seleção brasileira (a maior novidade era o retorno de Adriano, que substituiu Luís Fabiano no decorrer da partida) conquistou uma suada vitória por 3 a 2 sobre o Canadá, em amistoso realizado nos Estados Unidos. O Rei do Futebol reprovou o desempenho.
“Enquanto tivermos tantas mudanças, vai ser assim. É preciso manter um time”, criticou Pelé, apresentando a própria seleção canadense como exemplo para Dunga. “O Brasil jogou contra um time que não é tão bom, mas que está sempre atuando junto. Isso faz diferença”, analisou.
Cinqüentenário do primeiro título mundial – No lançamento do projeto “Campus Pelé”, nesta segunda-feira, em Santos, o Rei do Futebol não deixou de falar sobre o seu passado na seleção brasileira. O aniversário de 50 anos da primeira Copa do Mundo conquistada pelo país, em 1958, na Suécia, ainda o emociona.
“Antes daquele título, os jornalistas europeus perguntavam se o Brasil era na Argentina, se aqui havia índios andando nas ruas. Depois, passamos a ser conhecidos no mundo todo. Outra coisa que me chamava atenção era que não tinha nenhum negro nas outras seleções”, recordou Pelé, para quem a seleção de 1958 contava com mais craques que a de 1970, tricampeã mundial