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Futebol

Patinho Feio, Zico critica sistema de eleição e vê Fifa sem credibilidade

Arquivo Geral

27/10/2015 19h00

Em entrevista ao programa Planeta Sportv, Zico, atual treinador do Goa FC, da Índia, que planejava se candidatar à presidência da Fifa, contou sobre sua desistência ao pleito. O ídolo do Flamengo afirmou ter recebido o apoio de algumas Federações, entretanto, algumas mudanças não possibilitaram a corrida do brasileiro rumo ao cargo principal da entidade. Ele também ressaltou que sua experiência no meio do futebol o creditava para o comando.

“Eu tenho mais de 45 anos de futebol, será que que eu não estou preparado para exercer esse cargo? Depois de passar por três continentes, ser secretário de esportes do meu país, trabalhar como técnico, como jogador, então, assim como eu, tem outras pessoas no mundo do futebol que deveriam se candidatar. Eu acho que o mais importante em uma candidatura são os seus fundamentos, aquilo que você pretende fazer, as federações devem ter toda a liberdade de escolha, você ter um debate. A eleição da Fifa é quase uma eleição para Presidente da República de um país, pela importância do futebol no mundo e as pessoas tem que conhecer os candidatos”, disse.

Sobre os candidatos que irão disputar a eleição, Zico criticou a falta de informações e de coisas importantes que fizeram no futebol. Ele disse conhecer apenas três dos oito concorrentes e que poucos deles apresentaram propostas sólidas para que haja mudanças nos bastidores do esporte, manchado por escândalos de corrupção.

“Tem candidato aí que eu não conheço, não sei a história dele, não sei o que ele fez, os projetos dele. Eu só conheço três desses candidatos: o Príncipe Ali, que já havia participado da última eleição e conseguiu mais de 60 votos, do Gianni Infantino, por ser o secretário da Uefa, mas não sei o trabalho dele, o que ele fez no futebol, e também o Jérôme Champagne, que eu sei que foi secretário também da Fifa, os outros eu não conheço. Sei que teve um que foi ex-prisioneiro junto com o Mandela, tem o sheik do Bahrein, que é da Confederação Asiática, também não sei o que fez no futebol”, comentou.

Ressabiado quanto ao futuro do esporte, Zico não vê muitas modificações à frente. Ele acredita que os escândalos de corrupção só vazaram ao público por conta de interesses pessoais de alguns cartolas, mas acredita que saiu fortalecido de todo o ocorrido. Sem muita influência nos bastidores do futebol e acostumado a atuar nos gramados, seja como jogador ou como técnico, o Galinho de Quintino também criticou o sistema para conseguir o apoio das Federações.

“Eu saio fortalecido, agradeço a toda a minha equipe que participou, que esteve junto. Às vésperas da definição eu conversei com alguns presidentes que me garantiram a carta, mas no dia seguinte, com a mudança da Uefa e a saída de Platini, mudou tudo. Da mesma forma que tem intermediário de jogador também existe intermediário para as cartas, para ganhar voto, aí você fala sobre suas intenções, sobre sua plataforma e dá a impressão de que eles ficam esperando você oferecer alguma coisa, o que eles vão ganhar em troca. É a moeda de troca e eu sou o patinho feio, eu não sou moeda de troca. Não tenho jatinho, não tenho condição de viajar para conversar pessoalmente com as pessoas, sei que isso seria bom, mas eu tenho que trabalhar, não posso me ausentar, nem descumprir meu contrato”, finalizou.

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