O imbróglio envolvendo uma possível transferência do jogador Thiago Neves do Fluminense ao Palmeiras acabou chegando à Vila Capanema. E apenas alguns dias depois de desistir de brigar pelo vínculo com o jogador até 2009, o Paraná Clube pode ser pressionado a rever sua posição e tomar partido no caso, que voltou à tona antes mesmo desta negociação.
Grande revelação do Tricolor da Vila em 2005, o meia era considerando um tanto rebelde e foi negociado com o Vengalta Sendai, do Japão. Nesta negociação, o então presidente José Carlos de Miranda teria se beneficiado, recebendo quantia de dinheiro por fora do contrato para fins pessoais como sócio oculto de umas das empresas detentoras do direitos. A acusação rendeu o afastamento do dirigente um mês antes das eleições no clube.
Segundo o ex-presidente, que se defende das acusações, o Tricolor dividia os direitos sobre o meia com a LA Sports e lucrou US$ 200 mil por 30% dos direitos econômicos e o perdão da dívida de R$ 231 mil que o Paraná tinha com a empresa e a Systema, gerenciada pelo empresário Léo Rabelo, referente à ida do atacante Leonardo para o Flamengo. Ou seja, o jogador tinha contrato com o Paraná, passou a pertencer a dois grupos empresariais.
A posição de Thiago Neves também se mostrou estranha, pelo menos até o aparecimento de um pré-contrato com o Palmeiras, assinado antes da renovação com o Tricolor carioca, e que começa a vigorar em janeiro em 2008. O jogador havia entrado com um pedido na Justiça para quebrar o vínculo como Paraná Clube, mas recuou, mudando o foco de sua briga para o Fluminense.
A diretoria paranista ainda não se pronunciou oficialmente, mas existem duas tendências dentro do clube. De um lado, o presidente em exercício, Aurival Correia, que quer entrar na Justiça para desfazer o negocio entre José Carlos de Miranda e o empresário Léo Rabelo, dono de 68% dos direitos econômicos do atleta. De outro, o presidente do conselho normativo, Ocimar Bolicenho, temendo problemas para o Paraná, quer a abdicação desse vínculo.
Enquanto isso, o jogador, um dos destaques do Campeonato Brasileiro, corre o risco de ficar sem jogar no próximo ano. Caso o Verdão faça valer o contrato a partir de janeiro, sem a rescisão com o Fluminense, Thiago Neves seria impedido de atuar por ter dois contratos em vigor ou uma das partes obrigada a pagar uma multa rescisória.
Na próxima semana, uma comissão de investigação da diretoria paranista irá se pronunciar em relação à transferência não só de caso Thiago Neves, mas também de Eltinho. “São transações idênticas. E esses valores foram devidamente pagos. Está tudo registrado”, afirmou Aurival, garantindo que ambos foram emprestados ao futebol japonês, mas sem explicar porque não houve registro financeiro da cessão de 30% dos direitos econômicos desses jogadores à Systema.