O presidente da Uefa, Michel Platini, teme pelo futuro do futebol europeu caso as federações sejam obrigadas a adotar as leis trabalhistas da União Européia, que, entre outras coisas, prevê o livre trânsito de trabalhadores entre os locais de trabalho. No momento, as entidades esportivas, tais como as federações de futebol, se beneficiam de exceções abertas pelo regulamento de competições da Comissão Européia, que lhes dá livre arbítrio para estabelecer suas próprias regras.
No entanto, a União Européia está desenvolvendo uma lei que, se aprovada, invalidará a declaração de Nice, que dá ao esporte um status especial na sociedade. Assim, Platini está preocupado que tal fato venha a aumentar as disparidades entre os times mais poderosos do continente em relação aos clubes mais modestos.
“Estou desconfiado. Espero que eles ouçam o mundo dos esportes”, disse Platini em entrevista ao Financial Times. “Temo por más decisões que eles possam tomar. É um momento importante e espero que entendam o que as pessoas querem do esporte. Não dá para matar uma filosofia de 150 anos no futebol por causa de um político que nunca praticou esportes, por causa de um simples direito de que um esportista é um trabalhador”, completou.
O francês também se preocupa com a possibilidade de que a ação que o Charleroi move contra a Fifa tenha sérias conseqüências para futebol internacional. O clube belga, apoiado pelo G14, que representa os clubes mais ricos da Europa, acionou um tribunal superior do continente na última semana para conseguir uma compensação pela contusão de um de seus jogadores quando este atuava pela seleção de seu país.
“Precisamos de um acordo com todas as famílias (do futebol) e não ter nossos problemas resolvidos perante tribunais ou a corte de Bruxelas. Todos temem isto, não apenas na Inglaterra, mas na Geórgia, na França e até mesmo no Brasil. Nunca sabemos se o que um juiz decidir é o futuro no esporte. Espero que ele tome uma boa decisão”, afirmou Platini.
Concluindo seu discurso, o francês também alertou a Fifa para que esta faça legislações uniformes a respeito da transferências de jogadores, tendo em vista a controversa negociação de Carlitos Tevez, que deixou o Corinthians para ir ao West Ham conduzido pela batuta da MSI.
“Às vezes os jogadores pertencem a agentes ou companhias, não aos clubes e isso é muito complicado. Temos que regular isso na Fifa, mas não é tão fácil. O sistema de transferências é o da Fifa. Precisamos ter um jeito lógico e uniforme no mundo inteiro”, concluiu Platini.