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Futebol

Palmeiras explica <i>operação perfeita</i>: ceder 5% de Vagner Love

Arquivo Geral

28/08/2009 0h00

O diretor de futebol Savério Orlandi apareceu cansado na Academia nesta sexta-feira ao lado de Genaro Marino, seu colega no cargo. Dizia estar dois dias sem dormir para conversar com dirigentes do CSKA no fuso-horário russo. Mas abriu o sorriso para explicar por que Vagner Love voltou: o Palmeiras abriu mão de 5% do que tinha direito em uma futura negociação do atacante.


Para acertar seu empréstimo até 30 de julho de 2010 – com prorrogação garantida por mais um mês caso o time chegue à final da Libertadores -, o atacante aumentou por mais uma temporada seu contrato com o clube russo, assinando vínculo até 2012. O maior fator de convencimento, porém, estava com a diretoria brasileira, que superou até a concorrência de Santos e Flamengo.


Ao vender o camisa 9 ao CSKA em 2004, o Palmeiras, então presidido pelo hoje opositor Mustafá Contursi, acertou que ficaria com 10% do valor de uma futura negociação. Segunda a direção atual, criticada pelo ex-presidente, bastou dar metade de um dinheiro que não é certo para a equipe de Moscou liberar seu principal jogador.


“Precisávamos de algum trunfo, uma carta na manga. O CSKA achou interessante porque na volta poderia valorar seu ativo. Foi uma operação perfeita do ponto de vista financeiro, porque ambos os clubes ficaram amplamente satisfeito e o Vagner também, que até queria embarcar hoje (sexta-feira), mas não conseguiu”, contou Savério.


De acordo com os diretores alviverdes, os dirigentes russos até abriram mão da chegada de um atleta para aceitar a transação. Zico, técnico do CSKA, pediu Cleiton Xavier, Diego Souza, prontamente recusados. Quase entraram no negócio Wendel, Lenny e Marquinhos – os dois últimos se machucaram recentemente. O foco, porém, era Obina. E o Verdão esteve perto de ceder seu centroavante.


“O Palmeiras fez de tudo para não ceder o Obina. O clube russo indagou e chegamos a falar em quais condições poderia acontecer, mas felizmente acabou não evoluindo. Acredito que isso atendeu ao nosso interesse e ao do Obina, que encontrou a alegria e a felicidade conosco. Estamos satisfeitos com ele do ponto de vista técnico e comportamental”, enalteceu Savério.


“A ida do Obina para o CSKA pode acontecer, mas não tem vinculação nenhuma com a operação fechada hoje (sexta-feira). Se acontecer, vai ser no final do ano, e a partir daí ele volta a ser jogador do Flamengo”, completou o diretor de futebol, lembrando que o empréstimo do camisa 28 para o clube do Palestra Itália se encerra em dezembro, e o Palmeiras tem prioridade para adquirir seus direitos econômicos por R$ 4 milhões.


Com Obina mantido, Muricy Ramalho não perde opções no ataque. E apenas se reforça com a conclusão de uma conversa que começou em julho, quando Vagner Love visitou o time que o revelou. Dias depois, Savério Orlandi diz que viajou ao Rio de Janeiro e conversou com o atacante por 40 minutos antes de seu embarque de reapresentação em Moscou. Estava formalizado seu interesse.


“Após esta viagem, senti que tínhamos um caminho bom para trilhar. Ele desejava muito voltar a vestir a camisa do Palmeiras”, contou o diretor. “A participação do Vagner nesta operação foi importantíssima, entre 30% e 40%. E o acerto aconteceu por dois motivos: o CSKA assimilou e concordou em estreitar relações com o Palmeiras e o Vagner cumpriu de forma exemplar e irretocável seus cinco anos de contrato.”


Satisfeito, Savério começou sua entrevista para explicar o caso nesta sexta-feira comemorando o fim de uma semana que considerou “gloriosa”, pois começou com a equipe na liderança do Campeonato Brasileiro, teve na segunda-feira um jantar no Salão Nobre do Palestra Itália em comemoração aos 95 anos de fundação do clube, completados na quarta, e terminou com Love. “Estou há dois dias sem dormir. Ligar para a Rússia judia. Minha dor de cabeça terminou hoje”, admitiu.

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