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Futebol

Palestra impressiona pela beleza, mas falhas atrapalham até árbitro

Arquivo Geral

20/11/2014 10h02

Reaberto para jogos oficiais após quatro anos e quatro meses, a beleza e ares de modernidade do Palestra Itália foram as raras boas impressões deixadas na derrota do Palmeiras para o Sport. Mas a arena ainda apresenta falhas que, inclusive, atrapalharam a arbitragem na partida dessa quarta-feira.

O árbitro Dewson Fernando Freitas da Silva, do Pará, relatou os problemas na súmula. “Informo que não foi possível incluir a relação de atletas antes do início da partida em razão de falta de internet no estádio e que a comunicação de penalidades foi feita de forma manual pelo mesmo motivo antes exposto”, escreveu.

A falta de internet foi uma das principais dificuldades para todos os presentes. A rede sem fio gratuita armada para os torcedores praticamente não funcionou desde uma hora antes de o jogo começar. Mesmo a rede destinada exclusivamente à imprensa apresentou instabilidade a partir das 21 horas (de Brasília). A comunicação chegou a ser prejudicada também com a impossibilidade de falar pelos celulares, por conta do sinal muito fraco.

Houve um sinal que gerou ainda mais apreensão. A WTorre, construtora responsável pela reforma no estádio, considerou a primeira partida oficial como um teste, tanto que a Polícia Militar liberou a venda de ingressos com 4 mil bilhetes a menos do que a capacidade total para jogos. Mas o clima de testes em emergências assustou.

Os torcedores puderam no estádio a partir das 19h30. Até perto das 21 horas, quem estava mais próximo das partes internas pôde ouvir e se assustar com barulhentos apitos anunciado uma emergência. Rapidamente, alguém informava que era um teste, mas funcionários do estádio se queixavam da medida. “Já estão todos aqui dentro, isso vai causar pânico”, falavam entre si.

Os elevadores também apitavam mesmo com um número de pessoas bem inferior ao indicado como capacidade máxima, causando aglomerações. Camarotes apresentaram goteiras e ajustes de luzes nos corredores eram realizados horas antes de a partida começar. Faltavam ainda tomadas ao longo do estádio. A imprensa não pôde ficar em sua área, tendo que trabalhar em um lounge que servirá para receber eventos.

Depois da partida, a entrevista coletiva de Dorival Júnior começou com atraso por conta de problemas no sistema de som. Repórteres tiveram que aproximar os seus próprios microfones do técnico para ouvi-lo até que, minutos mais tarde, conseguiram resolver as dificuldades para que o treinador se explicasse da maneira estava prevista.

A organização do jogo ficou a cargo do Palmeiras, e Paulo Nobre já chegava ao estádio avisando que erros poderiam ocorrer. “Espero que o torcedor dê nota 10,5. O estádio é maravilhoso, lindo. Por ser o primeiro jogo, pode ser que tenham acontecimentos a serem corrigidos para os próximos jogos, é uma coisa normal. Agora, não estamos medindo esforços para tudo ocorrer da melhor maneira”, indicou o presidente.

A reabertura ocorreu na última chance que Nobre tinha antes das eleições do dia 29. O candidato da oposição, Wlademir Pescarmona, viu o fato como estratégia eleitoreira, e que pode ter prejudicado, já que o estádio ainda não está pronto. “Não é uma inauguração da gestão do presidente Paulo Nobre, é uma inauguração da Sociedade Esportiva Palmeiras, independentemente do presidente”, defendeu-se Nobre.

A discussão judicial sobre as cadeiras do estádio até foi esquecida no discurso do presidente. Mas fica a cargo do Palmeiras resolver as falhas do primeiro jogo oficial para voltar a atuar em casa no dia 7, contra o Atlético-PR, pela última rodada do Brasileiro. “A operação é sempre responsabilidade do clube. O pessoal da WTorre está trabalhando em conjunto conosco, até para aprender como funciona o futebol no Brasil, bem diferente de um show. As exigências da polícia são completamente diferentes”, comentou o presidente.

A WTorre se prepara, agora, para o primeiro evento com capacidade máxima do estádio: os shows de Paul McCartney, na terça e quarta-feira. Parte da estrutura do palco do britânico esteve presente atrás da meta em que ocorreram os dois gols da noite, e ficou coberta por um pano verde e um símbolo inflável do Palmeiras.

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