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Futebol

Palaia lembra autoentrevista, nega golpe e admite colocar mão no bolso

Arquivo Geral

30/09/2010 20h03

Substituto de Luiz Gonzaga Belluzzo, Salvador Hugo Palaia falou publicamente como presidente interino do Palmeiras pela primeira vez na tarde desta quinta-feira. Na Academia de Futebol, ele lembrou a célebre autoentrevista de 2006, negou um golpe e admitiu, após alguma relutância, a possibilidade de colocar dinheiro próprio no endividado clube.

“Boa tarde. Desculpe pela demora. Eu estava acabando de terminar a minha autoentrevista”, afirmou, arrancando risos dos presentes. “É brincadeira, foi só para quebrar o gelo. Tem que acabar com esse assunto. Já morreu e faz parte do passado”, acrescentou Palaia, de terno cinza e com um broche do Palmeiras na lapela.

Então homem forte do futebol, ele convocou a imprensa para, teoricamente, conceder uma entrevista no ano de 2006. No entanto, ao invés de responder as perguntas dos jornalistas, o próprio dirigente se encarregou de elaborar as próprias questões e respondê-las.

Desta vez, ele assumiu o comando em função de um problema de saúde de Belluzzo. Internado no hospital Sírio-Libanês, o presidente eleito passou por uma cirurgia cardíaca e solicitou 45 dias de afastamento. Com uma carta assinada pelo mandatário para oficializar a transmissão de cargo, Palaia negou um golpe repetidas vezes.

“Falaram muito de golpe e de traição, mas não houve nada disso. Todos os diretores e conselheiros já sabiam que o Belluzzo seria operado e não teria condições de coordenar por 45 dias. Cada um tem uma forma de administrar e a minha, em parte, é diferente da atual diretoria”, explicou o novo presidente em um pronunciamento antes de começar a responder as perguntas dos jornalistas.

Segundo Palaia, após sua ascensão os diretores colocaram os cargos à disposição, com exceção de Gilberto Cipullo, Savério Orlandi e Genaro Marino, os três homens do futebol. Desta forma, ele decidiu dissolver o organograma anterior e montou um conselho gestor com oito membros, alguns presentes nesta quinta-feira.

Wlademir Pescarmona, diretor de futebol, José Cyrillo Júnior, diretor administrativo, Francisco Busico, diretor financeiro, além Antônio Carlos Corcione e Fabio Raiola, assessores da presidência, acompanharam Palaia. Os vices Clemente Pereira Júnior, Edvaldo Frasson Teixeira e Gilberto Cipullo também foram convidados para compor o conselho, mas o último dificilmente aceitará.

“Esses oito decidirão os destinos do clube. Não é muita gente, é uma comissão participativa e democrática. A palavra final será minha, mas ouvirei todos antes de tomar as decisões, e o bom senso prevalecerá. Em 45 dias, temos muito tempo para fazer o que tem que ser feito no Brasileiro, na Sul-Americana e para o ano que vem”, disse o presidente interino.

Salvador Hugo Palaia ainda garantiu que sua decisão de dissolver o departamento de futebol não foi motivada por qualquer tipo de rancor ou revanchismo. Por outro lado, ele reclamou da linha de ação dos diretores anteriores, encabeçados por Gilberto Cipullo.

“O que estava antes pode ser considerado uma ditadura. Em quatro anos, a mim nunca foi levado um documento para analisar. Era tudo feito e dirigido pelo departamento. A gente não tomava conhecimento de nada que estava acontecendo. Cada um tem uma forma de administrar, e a minha é uma que traga resultado de forma cristalina”, disse.

Para completar, Palaia, empresário do ramo imobiliário, se disse pronto para investir dinheiro do próprio bolso no clube, que vive situação econômica delicada e ainda se esforça para quitar os direitos de imagem atrasados com os jogadores. “Se tiver que colocar a mão no bolso, eu colocarei até o bolso furar”, encerrou.

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