A volta olímpica já foi dada pelos jogadores do Cruzeiro, apesar de o título ainda não estar garantido matematicamente. A confirmação pode vir hoje, antes mesmo de o time entrar em campo – basta o Atlético-PR não somar ponto no duelo contra o Criciúma.
Tal cenário deixa os ídolos do passado em situação confortável para falar sobre a conquista do Brasileirão 2013 antes do resultado do duelo de hoje, às 21h50, contra o Vitória, em Salvador.
O ex-volante Wilson da Silva Piazza, de 70 anos, foi um ícone da equipe entre os anos 1963 e 1978. Por telefone, ao Jornal de Brasília, o sempre clássico Piazza destaca o conjunto do atual time celeste como ponto de desequilíbrio.
Ídolo, ele diz que sente falta do Mineirão lotado, como no último domingo. “Tenho saudade, mas fico feliz de ver no que o Cruzeiro se transformou, principalmente, pelo potencial que alcançou. Me sinto também responsável por essa grandeza e fico feliz por ter contribuído para isso”, comemora.
Indagado se existe alguém no elenco atual que se assemelhe ao estilo dele, Piazza apontou o jovem Lucas Silva. “É um menino que tem capacidade de se firmar na história do Cruzeiro. Tenho gostado muito dele, principalmente, porque tem um bom chute de fora da área.”
Campeão da Libertadores pelo Cruzeiro em 1997, Gottardo, hoje técnico do Bonsucesso, vibra com a conquista do tricampeonato. “É um clube que desde 1990 está empenhado em conquistar um título por ano. Isso mostra o poder do futebol mineiro”, destaca o ex-zagueiro.
Paixão reforçada pela grana
Em êxtase com o segundo título do Campeonato Brasileiro – o terceiro foi a Taça Brasil de 1966, reconhecida pela CBF como Nacional –, os ídolos comparam o momento atual do futebol com o de suas épocas. Piazza recorda ao torcedor que o troféu deste ano só pôde ser conquistado devido ao alto investimento feito pela diretoria da Raposa – cerca de R$ 40 milhões foram investidos na formação do elenco.
“Eu joguei numa época em que todos atuavam no gramado por paixão. A camisa era lisa e não tinha emblema de patrocinador nenhum. Os times viviam apenas da bilheteria dos estádios e o torcedor ia para fazer parte da massa, fizesse chuva ou sol. É o tipo de coisa que não temos mais hoje em dia”, compara o ex-jogador.
O veterano também cita pontos negativos do passado do futebol brasileiro. “Contávamos mais com o amadorismo do que com o profissionalismo”, recorda.
Chance de aparecer no pôster
Depois de comemorar antecipadamente o terceiro título do Campeonato Brasileiro, o Cruzeiro encara o Vitória hoje, em Salvador, com a perspectiva de confirmar oficialmente a conquista, que já levou o time a dar volta olímpica no estádio Mineirão e a torcida celeste a tomar o centro de Belo Horizonte no último domingo. E uma vitória na partida pela 34ª rodada, marcada para as 21h50, no estádio Barradão, já garante a taça.
Diante desse cenário, o técnico do Cruzeiro, Marcelo Oliveira, vai poupar Nilton, que jogou contra o Grêmio no último domingo sentido dores no joelho. No lugar do volante deve atuar Henrique, que pediu a Deus que seja o escolhido para a partida. “Tem essa possibilidade de entrar e vamos esperar. Vamos ver o que pode acontecer. Estou pronto. Mas todos os jogadores ficarão marcados na história”, avaliou.
Além de Nilton, Marcelo Oliveira também não poderá contar com o lateral-direito Ceará e o armador Éverton Ribeiro, ambos suspensos. Com isso, deve escalar novamente o atacante William, que deu lugar a Dagoberto entre os titulares no último compromisso e entrou para marcar o seu no fim do segundo tempo, além de Mayke, que deve ser acionado para compor a defesa celeste.
Em casa
Henrique teve uma excelente passagem pelo Cruzeiro, mas foi negociado com o Santos. Na negociação de Montillo com o time da Vila Belmiro, o Peixe “devolveu” Henrique à Raposa. Entretanto, o jogador teve poucas oportunidades devido à grande fase vivida por Nilton, que se encaixou bem com o jovem Lucas Silva, no esquema tático armado pelo técnico Marcelo de Oliveira.
Para não pagar mico
Após a vitória sobre o Grêmio no último domingo, torcedores e jogadores do Cruzeiro ignoraram as projeções matemáticas e fizeram uma grande festa no Mineirão para comemorar um título de campeão brasileiro que ainda não foi confirmado. A chance de algo dar errado é extremamente remota, mas o Atlético-PR ainda pode ultrapassar. “A gente sabe que jogar lá não é fácil, mas somos uma equipe madura em jogos fora de casa. Todo mundo está acreditando e precisamos concretizar o título”, disse Willian.