Invicta após cinco jogos nas Eliminatórias da Copa-2014, a Itália tem crescido constantemente às vésperas do Mundial no Brasil e, consequentemente, da Copa das Confederações. Ainda dependente da técnica dos experientes Buffon (35), De Rossi (29) e Pirlo (33), a Squadra Azzurra tem num jovem setor ofensivo a chave para o sucesso. Mais precisamente em Mario Balotelli.
Aos 22 anos, o atacante funciona como um termômetro da seleção italiana. Não por acaso, no amistoso contra o Brasil no fim de março, ele foi o responsável por dar força à equipe ao anotar os dois gols do empate por 2 x 2 – um deles um golaço de fora da área.
Acionar o polêmico jogador tem sido o esporte preferido dos rodados meias. Com uma característica marcante de ir em direção ao gol, Balotelli é o mais escolhido para receber o último passe antes de definir a jogada.
Para se ter uma ideia, no amistoso diante do Brasil, ele foi acionado 37 vezes por seus companheiros. Em sete oportunidades, o atacante bateu para o gol – duas entraram.
Batendo cabeça
Embora seja considerado um fora de série no futebol atual, Balotelli tem sofrido um pouco quando atua pela Itália. Isso porque o técnico Cesare Prandelli opta por colocar o centro-avante Osvaldo ao seu lado. Os dois têm estilo de jogo menos veloz e de mais referência, o que faz com que ocupem, algumas vezes, a mesma faixa do campo.
Mas o que não falta é boa opção no banco de reservas. Uma delas, o experiente Cassano. A outra, a joia a ser lapidada pelo Milan, El Shaarawy, de 20 anos.
Base campeã
Ao contrário do que ocorre no Brasil, o técnico da Itália, Cesare Prandelli, põe em sua prancheta apenas jogadores que atuam no próprio país. Em junho, muito provavelmente os brasileiros e gringos que acompanharem o futebol da Azzurra verão uma base formada pelo time da Juventus.
Isso porque o comandante aproveita o bom momento vivido pela Velha Senhora. No campeonato nacional, a equipe de Antonio Conte, que cedeu nada menos que oito jogadores à seleção no amistoso contra o Brasil, foi campeã antecipadamente. O encaixe do time é tão bom que o aproveitamento na penúltima rodada beirou os 80%: 78,4%.
Cinco representantes da Velha Senhora são titulares da seleção do país: o goleiro Gianluigi Buffon, os zagueiros Andrea Barzagli e Leonardo Bonucci, além dos volantes Andrea Pirlo e Claudio Marchisio.
Deu certo no passado
Usar a base da Juventus não é nenhuma novidade na seleção italiana. Ao contrário disso, a Squadra Azzurra tem bons motivos para crer que a receita da Velha Senhora lhe dê frutos saborosos num futuro próximo.
A exemplo do que faz atualmente Cesare Prandelli, em 1982, a Itália atuou com seis representantes da Juventus no Mundial. O tricampeonato na Espanha veio com os alvinegros Zoff, Cabrini, Gentile, Scirea, Tardelli e Paolo Rossi entre os titulares.
Diante do Brasil, Rossi marcou os três gols da vitória por 3 x 2 sobre a seleção que tinha com as esperanças da geração de Zico, Sócrates, Falcão e Cerezo.
“A Juventus trabalha com uma continuidade extraordinária. Os jogadores deste time têm uma força de vontade que os ajuda a passar por todos os obstáculos”, explica o treinador. Ele tem uma ligação forte com o clube já que jogou na equipe de Turim no início dos anos 80, na época em que o time contava com metade da seleção italiana, além de craques estrangeiros como o francês Platini.