Petronilo Oliveira e Vicente Melo
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Apesar de esperada, a demissão de Mano Menezes do comando da seleção brasileira pegou muita gente de surpresa pela época em que ela aconteceu e também pelo modo obscuro como se deu o desfecho da passagem do treinador pelo escrete canarinho. O Jornal de Brasília obteve informações de como se deu o processo de “fritura” e a demissão do ex-treinador.
A derrocada de Mano começou com a perda da medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Londres. A grande expectativa e o consequente fracasso minaram a relação amigável entre o presidente da CBF, José Maria Marin, e o treinador.
À época, a demissão do comandante foi muito especulada, até porque Mano Menezes não era o treinador que Marin queria na seleção. A bola da vez já era Luiz Felipe Scolari, mas o mandatário foi impedido de mandar embora o antigo técnico por conta de um acordo com o ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira, para manter Mano e o então diretor de seleções, Andrés Sanchez, segundo uma fonte ouvida pela reportagem. Outra garantiu que o fato de Romário ter criticado o treinador por diversas vezes deu sobrevida ao gaúcho, “para não dar moral ao Baixinho”.
Nas seis partidas seguintes, a seleção acumulou triunfos. Só que o ambiente entre treinador e cúpula da CBF já havia se deteriorado a ponto de José Maria Marin não mais frequentar a concentração da equipe, antes um hábito do dirigente – sempre acompanhado pelo vice Marco Polo Del Nero.
Trecho final
O clima pesado nos bastidores da seleção contaminou o grupo. Os jogadores fizeram de tudo para demonstrar união e que apoiavam Mano Menezes. Contra a África do Sul, em São Paulo, e a China, em Recife, os atletas entraram em campo de mãos dadas e cantaram o Hino Nacional abraçados.
Mas o grande golpe contra o treinador veio no Superclássico das Américas. Marin não teria gostado da convocação de alguns atletas – ele exige ver a lista 48 horas antes do anúncio – e cobrou Mano, que bancou os jogadores. Um deles era Fábio Santos, do Corinthians.
Após nova convocação do jogador para o amistoso contra a Colômbia, com a equipe principal, Marin e Mano tiveram uma áspera discussão. A gota d’água foi a derrota para a Argentina no jogo de volta do Superclássico – mesmo com a conquista da taça nos pênaltis.
Demissão comunicada no avião
Os algozes de Mano Menezes foram dois: José Maria Marin e Marco Polo Del Nero. Ao contrário do que foi ventilado na época da demissão do treinador, o então diretor de seleções da CBF, Andrés Sanchez, não participou de uma reunião com os principais cartolas da entidade para definir se Mano continuaria ou não no cargo.
Um dos indícios de que o destino do técnico gaúcho estava traçado foi o presidente da CBF só ter chegado a La Bombonera, palco do jogo de volta do Superclássico das Américas, com a bola rolando. E Marin sequer esperou o fim da partida para deixar o estádio em Buenos Aires.
Após a conquista da taça, o treinador teria desabafado contra as críticas da cúpula da CBF durante a comemoração nos vestiários, segundo informou uma fonte à reportagem. A mesma pessoa, com bom trânsito nos bastidores da entidade, confirmou que o aviso da demissão foi dado a Mano no avião que trazia a delegação de volta ao Brasil por Marco Polo Del Nero (vice-presidente da CBF pela Região Sudeste).