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Futebol

Novo técnico da Lusa, Ailton alerta: "Existe mais buraco para cair"

Arquivo Geral

17/12/2014 10h58

A Portuguesa já tem um comandante para a disputa do Campeonato Paulista e da Série C do Brasileirão: Ailton Silva. O treinador assina contrato de um ano com o clube após passagens por Santo André, São Bento, Ituano, São Caetano, Mogi Mirim e Ferroviária – além da própria Lusa, onde comandou as categorias de base em 2012. Entretanto, a vida do recém-chegado pelos lados do Canindé não deve ser fácil.

O novo técnico terá que lidar com as sequelas de dois rebaixamentos consecutivos no Campeonato Brasileiro: da Série A para a B em 2013, no STJD, e da Segundona para a Série C nesta temporada, quando terminou o ano na lanterna da tabela.

Além disso, há a difícil missão de assumir uma equipe mergulhada na crise e na instabilidade política, uma vez que a atual gestão de Ilídio Lico acusa o ex-presidente Manuel da Lupa de envolvimento no escândalo nos tribunais, que salvou o Fluminense da queda e rebaixou a Lusa com a perda de pontos pela escalação irregular do meia Heverton.

Para dificultar ainda mais a vida da Portuguesa – que viveu um ano dourado em 2011, antes da sequência de quedas, quando foi campeã da Série B e recebeu o apelido de “Barcelusa”, pela qualidade do futebol apresentado –, o clube também terá que lidar com um orçamento reduzido para contratações.

Para retratar o cenário conturbado no qual desembarca o novo treinador, A Gazeta Esportiva conversou com Ailton Silva, que revelou suas expectativas e, principalmente, preocupações para a temporada que se aproxima no Canindé.

Gazeta Esportiva: Primeiramente, o que te levou a aceitar o convite da Portuguesa, mesmo com o clube em uma situação tão complicada?

Ailton Silva: É mais um desafio na minha carreira. Tenho um respeito muito grande pelo clube, e a diretoria me convidou agora pra uma reformulação, uma renovação completa. Foram dois anos muito difíceis pra Portuguesa, sem dúvida, com o rebaixamento em 2013 nos tribunais e agora novamente do jeito que foi, na lanterna da Série B. Eu levei em conta o fator de já ter passado pelo clube nas categorias de base, e muitos dos atletas que eu treinei lá estão no profissional hoje. Então, eu encaro esse como o grande desafio da minha carreira até o momento: a reformulação da Portuguesa.

GE: Qual é a sua avaliação do elenco atual da Portuguesa? Acha que o grupo condiz com a situação atual da Lusa, na Série C, ou é possível almejar algo melhor?

Ailton: Do elenco que vimos em 2014, vão ficar poucos jogadores. Inicialmente, a base para o ano que vem será formadas pelos jogadores da base, revelados pelo clube. Quanto aos mais experientes, vamos sentar um por um pra avaliar e ver a renovação dos contratos, mas a ideia é reformular, construir uma base nova e vencedora.

GE: Tendo em mente a atual realidade do clube, qual é a sua prioridade nesse momento? Acredita que é possível chegar longe no Paulista de 2015, ou acha que o Campeonato deve servir mais como preparação pra disputa da Série C?

Ailton: Eu pretendo entrar com os pés no chão nas duas competições. Vamos montar o elenco do zero, e temos que tomar cuidado com esses jovens que vão entrar. São jogadores de potencial, mas você não pode acelerar a adaptação para o profissional. Por isso, o objetivo principal é a permanência na Série A do Paulista. A partir daí, em cima desse Campeonato, vamos montar uma boa base pra que possamos fazer uma campanha satisfatória na Série C do Brasileiro.

GE: Até que ponto a crise política do clube atrapalha o trabalho do departamento de futebol?

Ailton: Esse é um ponto importante que eu fiz questão de destacar na reunião: a união da diretoria com a equipe do futebol. Se não houver esse sentimento de unidade, de trabalho em equipe, vai ficar difícil para todos nós recolocarmos a Portuguesa no seu caminho habitual. Ainda existe mais buraco para cair, precisamos ter cuidado. É mais fundo do que parece, não podemos escorregar.

GE: A Lusa ainda não contratou nenhum atleta para a próxima temporada. Em relação a isso, qual foi a conversa que você teve com a diretoria de futebol e com o presidente Ilídio Lico? Existe a perspectiva da chegada de reforços, talvez por empréstimo?

Ailton: A conversa de segunda-feira foi mais centrada no meu contrato, mas eu tenho conversado muito com o próprio Zé Augusto, que conhece bem o elenco e terminou o ano no comando do time. Juntos, vamos fazer a avaliação do grupo para transmitirmos as carências dele para a diretoria.

GE: Até que ponto você acha que esse atraso no planejamento pra 2015, que começa só agora, pode comprometer o ano da Portuguesa?

Ailton: Vamos ter que trabalhar e muito, não dá pra ficar reclamando. Temos muita coisa pra fazer, e vamos correr para tentar contratar jogadores que possam ajudar o clube a voltar pro patamar em que ele merece estar. A ideia é montarmos um bom time no Paulista para já termos uma base boa para a Série C. Assim não perdemos tempo.

GE: Para finalizar, você tem algum recado que gostaria de transmitir para a torcida da Lusa?

Ailton: Quero deixar bem claro que a nossa intenção é de fazer o melhor por esse clube. Vou lutar muito para resgatar a tradição e a grandeza da Portuguesa, com muito trabalho, respeito, seriedade, honestidade e profissionalismo. Nós entendemos a dimensão desse clube, que merece estar em uma situação muito melhor do que essa. Para isso, precisamos do apoio da torcida.

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