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Futebol

Nobre tenta implantar "paz de espírito" e fala em divã no Palmeiras

Arquivo Geral

30/01/2013 11h47

Durante os dois anos de Arnaldo Tirone na presidência, os problemas do elenco variaram de xingamentos de jogadores a dirigentes até a atleta se apresentando embriagado para treinar. E uma das maiores preocupações de Paulo Nobre ao se tornar mandatário foi acalmar os ânimos, principalmente no trabalho na Academia de Futebol, e para isso tem contratado dirigentes. Um dos grandes focos está na parte psicológica.

 

“Por que não um divã? Quando você trabalha a parte psicológica e as pessoas passam a acreditar nelas mesmas, se tornam muito mais fortes. E a confiança vem de dentro para fora: se você não acredita, não adianta te enaltecerem. A parte psicológica é muito importante”, disse o presidente ao SporTV, incumbindo a nova diretoria de futebol de cuidar disso.

 

O principal nome à frente da função é o diretor executivo José Carlos Brunoro. “A função do dirigente é dar as melhores condições de trabalho à comissão técnica e aos atletas. O Palmeiras vivenciou momentos de dificuldade, críticas e pouca paz de espírito. A nossa missão é transformar o ambiente no Palmeiras em algo feliz e vitorioso”, afirmou Brunoro, já discordando da opinião de Tirone, que considerou o rebaixamento no Brasileiro um acidente.

 

“Com todo respeito ao presidente Tirone, no esporte não acredito muito em acidente, só se forem físicos, como contusões. E o que ficou de sequela foi a autoestima muito baixa dos jogadores. Temos que colocar que eles não são excepcionais, mas também não são ruins”, comentou Brunoro, complementando com uma frase que pode simbolizar a ideia da diretoria: “A camisa do Palmeiras não tem que pesar, tem que dar orgulho”.

 

Como Brunoro cuidará também das categorias de base, do marketing e do clube social, além de negociar com reforços ao lado de Nobre enquanto nenhum deles encontrar um manager no estilo europeu, caberá a Omar Feitosa blindar o elenco como gerente de futebol. O nome chegou a causar espanto na comissão técnica, já que ele era preparador físico do Atlético-PR até sexta-feira, mas a ideia de Paulo Nobre é usar sua vivencia e capacidade de organização para implantar paz no cotidiano do Verdão.

 

“Vou possibilitar e fomentar um bom ambiente de trabalho, dar estrutura para que a comissão técnica resolva os problemas do dia a dia e ter a tranquilidade de desenvolver o melhor trabalho possível. Algumas coisas escapam pela mão, mas a maioria tem que ser resolvida aqui mesmo”, determinou Omar.

 

Com esse organograma, Nobre espera dar rumo a um clube que considerou um “transatlântico à deriva” nas mãos de Tirone. A impressão veio em episódios como as brigas de Luiz Felipe Scolari com Roberto Frizzo, de Kleber chamando o vice-presidente de mau caráter e brigando também com Felipão até ser negociado, além do atraso de Valdivia para se reapresentar após as férias, João Vitor chegando para treinar com “hálito de cachaça” como ele admitiu, o desentendimento que quase virou agressão entre Valdivia e Marcos Assunção no ano passado, entre outros.

 

“O grupo de atletas e o treinador não podem ficar se expondo. As coisas internas têm que ser resolvidas internamente”, definiu Omar, relacionando esses fatos à baixa autoestima. “Senti um grupo que precisa perceber um pouco mais que tem muito potencial. Acreditar mais nisso e focar no que deseja, não ter medo nem receio. Eles têm que acreditar que são capazes. É o que precisamos.”

 

Na antiga gestão, Tirone e Frizzo pouco apareciam em meio às crises, deixando o então gerente César Sampaio com a função de contratar atletas, lidar com indisciplina e ser até psicólogo de boa parte do elenco, que pediu sua permanência. Agora, caberá a Omar Feitosa ajudar Gilson Kleina diretamente, se reportando a Brunoro e Nobre somente em casos impossíveis de serem resolvidos no centro de treinamento.

 

“O Gilson usa muito bem as ferramentas que tem para tentar motivar ou mobilizar o grupo, e vamos trabalhar em várias frentes, conversando formalmente e informalmente com atletas e situando a eles a necessidade do clube de uma alta motivação e foco. Temos condições de vencer todos os times do Paulista na primeira fase, e precisamos pensar nisso durante os sete dias da semana”, definiu o gerente.

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