Um extenso gramado verde em frente à Base Aérea do Aeroporto Internacional de Brasília abraçou por completo os únicos seis japoneses que aguardaram desde o início da manhã de ontem o pouso do avião da seleção asiática na capital.
Estimada em oito mil nikkeis (japoneses que vivem regularmente no exterior), a colônia japonesa radicada em Brasília “deixou” a cargo dos minguados jornalistas do país recepcionar os heróis que carimbaram com antecedência o passaporte para o Mundial-2014.
A primeira impressão de abandono dos torcedores logo foi arredada por Noda Yasuharu, um dos seis jornalistas japoneses da Fuji TV. “Era esperado que ninguém viesse. Os jogadores devem chegar exaustos devido ao fuso horário e não era legal (recepcioná-los com festa). No sábado, com certeza, eles estarão lá”, explicou Noda.
E, de fato, foi fácil notar a diferença de comportamento. Menos blindados e mais pontuais – o voo chegou com 12 minutos de antecedência –, os japoneses desceram de terno e gravata acompanhados dos equipamentos eletrônicos.
Com direito a cumprimentos aos jornalistas que aguardavam próximos ao avião, eles foram premiados com uma calorosa saudação na chegada ao hotel. Lá, os atletas ouviram o som das marchinhas de carnaval da Banda Brasília e o apoio de dezenas de japoneses, que cantavam “Nippon (Japão), Gambare (boa sorte)” com empolgação contagiante.
Desempenho é uma incógnita
Correspondente da Fuji TV na Espanha, Noda Yasuharu acompanha intimamente a seleção japonesa. Com o nome dos jogadores na ponta da língua, ele revelou ao JBr que esse time atual não é tão confiável quanto se fala mundo à fora. Para ele, o desempenho na Copa das Confederações é uma incógnita. “É um momento preocupante. O Agresti (Stefano, técnico do Japão) ainda busca uma formação. Os dois volantes não se encaixaram e esse será um evento-teste para a Copa do Mundo. Acredito que depois da Copa das Confederações, com algumas observações feitas, o time passará por uma renovação.”
Para esta Copa das Confederações, o Japão manteve nove jogadores em relação ao Mundial da África do Sul, em 2010. Até por esse motivo, Noda crê que o momento áureo desse elenco já tenha passado. “As pessoas falam muito que essa é a melhor seleção japonesa, mas ela já está em declive. Tanto é que o povo está preocupado com a escalação”, alerta o jornalista. Para provar o qe está dizendo, ele compara com a própria seleção brasileira.
Honda
Noda diz que o desempenho depende muito do meia-atacante Honda. “O Japão é um com ele e outro sem. É o nosso Neymar”, diz. “Se o Japão tiver muita sorte, empata com o Brasil e aí se anima para o restante da competição.”
Neymar preocupa Uchida
Em outubro do ano passado, na Polônia, a seleção brasileira goleava o Japão por 4 x 0 com destaque para Neymar – marcou dois gols. Recém-contratado pelo Barcelona, o camisa 10 do Brasil definitivamente herdou o rótulo de mais técnico do escrete canarinho, sobretudo na visão dos japoneses.
Responsável por marcar Neymar no confronto de sábado, o lateral-direito Atsuto Uchida, que atua pelo time alemão Schalke 04, se auto-alertou. “O Neymar é um jogador muito veloz e vou precisar pensar nisso durante todo a partida”, disse Uchida, após o leve treino ontem, no Bezerrão, no Gama.
Hoje
Ao contrário do que ocorreu ontem, hoje o elenco japonês retorna ao Gama, às 17h, e deve trabalhar bem mais a parte tática. Devido ao desgaste da viagem, eles deram apenas voltas ao redor do gramado, além de alguns toques na bola.