Não havia como esconder a emoção na despedida. Estava evidente, nítida para quem quisesse ver. O semblante de Neymar estava diferente do habitual. Parecia nervoso. E estava. As lágrimas ouvindo o Hino Nacional logo evidenciaram que aquele não era apenas um jogo que valia três pontos no Campeonato Brasileiro. Era bem mais.
Significava um “até breve”, como ele fez questão de colocar em seu armário no CT Rei Pelé. Mas o adeus ao Santos para ir defender o Barcelona teve uma carga dramática muito maior que a habitual.
O atacante só chegou a Brasília perto do meio-dia, pois estava no litoral de São Paulo para ser padrinho de casamento do amigo Paulo Henrique Ganso, meia do São Paulo e antigo parceiro no Peixe. Foram poucas horas na capital federal remoendo aquele que seria seu último jogo com a camisa santista.
Preleção
O clima dentro do vestiário do Peixe no Estádio Nacional Mané Garrincha estava carregado pela despedida do camisa 11, como relataram vários jogadores. As mesmas lágrimas que brotaram no campo de jogo apareceram em frente aos companheiros de time.
“Ficou (emocionado), porque está há nove anos no clube. Conhece todo mundo. Fica chateado. Ele chorou antes do jogo, mas foi um choro de alegria”, relatou o goleiro Rafael, um dos melhores e mais antigos amigos da Joia no grupo.
Os colegas embarcaram na onda. A emoção aflorou junto com o atacante. “Emoção também, né? Acho que não só ele se emocionou, mas a gente sabia que esse momento ia chegar e acabou chegando agora”, comentou o volante Arouca.
O último marcador
Não foram apenas os jogadores santistas que participaram ativamente deste momento na carreira de Neymar. Do lado do Flamengo, Leonardo Moura foi quem mais ficou perto de Neymar.
O lateral-direito foi o último a marcá-lo no Brasil e percebeu que o momento era para lá de especial para o oponente. Léo até esqueceu da rivalidade para consolar Neymar durante a partida.
“Em alguns momentos do jogo até dei um abraço nele, um abraço apertado, porque a gente sabe o quanto é difícil deixar o país para encarar um novo desafio em um lugar diferente. Eu tenho certeza que ele vai ter muito sucesso”, elogiou o capitão da equipe da Gávea.
O sucessor?
Gabriel fez a primeira partida em Brasileirões ontem. Apontado como sucessor da Joia, ele prontamente negou o rótulo.
“Ninguém vai ser o Neymar. O Neymar é único no Santos”, discursou o atacante de 18 anos.