O Brazlândia surpreendeu a muitos fãs do futebol no Distrito Federal com a vitória em casa sobre o Sobradinho. O triunfo garantiu a almejada classificação para a semifinal da Taça JK.
O resultado pode ser considerado ainda mais surpreendente quando se descobre que o atual campeão da segundona do candangão vai entrar, no dia 5 de abril, em seu quarto mês sem pagar o salário do elenco. Jogadores e comissão técnica não receberam um centavo sequer para entrar em campo em 2012.
A situação desses profissionais evidencia como o futebol da capital do país ainda tem muito que crescer. Uma greve foi descartada pelo elenco, que busca chegar à final do turno para poder ganhar visibilidade e assim ter a chance de ser visto por um grande clube.
O portal Clube do Esporte DF conversou com integrantes da comissão técnica e do elenco profissional do Brazlândia e descobriu verdadeiros heróis que deixam de ser profissionais para tentar garantir o alimento da família.
O meia Márcio Paraíba é um grande exemplo: de manhã ele trabalha como pedreiro e a tarde calça as chuteiras para treinar. No dia da vitória do Brazlândia sobre o Legião, por 3 a 2, Márcio trabalhou até às 4 da manhã como segurança.
Esse não é um caso exclusivo no elenco, pois vários outros jogadores vêm passando por dificuldades, tendo que jogar futebol de terrão para ganhar um pouco de dinheiro. Alguns atletas com um pouco mais de renda tentam ajudar os mais necessitados.
Segundo um dos líderes da equipe dentro de campo, que preferiu não se identificar, o presidente Moacir Ruthes havia marcado uma reunião para acertar o pagamento da equipe nessa segunda-feira (19), porém o mandatário não compareceu ao compromisso. “Ainda não recebi nada, ele marcou para nos encontrarmos hoje e não apareceu. Falta profissionalismo. Jogamos muito para chegarmos até aqui, merecemos respeito”, disse o atleta.
Um dos que consegue se sustentar fora de campo é o preparador físico, Marcão. Fora do clube ele é funcionário público, porém não acha que isso é motivo para aceitar o atraso do seu salário. “Minha situação é atípica, sou servidor público, mas preciso desse dinheiro e quero que (o presidente) honre essa dívida”, reclama.
Marcão informou que está sem receber desde o fim da segunda divisão do ano passado e que o presidente vem tentando garantir os salários, mas só tem o patrocínio do governo e isso não é suficiente para honrar as dívidas do clube. “Infelizmente estamos passando por isso, ninguém recebeu nada, o preparador físico ainda não recebeu nem (o salário) pela segunda divisão do ano passado. As premiações não foram pagas, nada de dinheiro”, ressaltou.
Já houve baixas na equipe por causa dessa crise financeira: “Já perdemos preparador de goleiro e jogadores por falta de pagamento”, conta o jogador.
O consenso de todos os que conversaram com a reportagem é de que a situação crítica financeiramente não vai impedir profissionais de lutar para ganhar a Taça JK, primeiro turno do Candangão. Todos descartaram a greve, alegando serem unidos e estarem focados.
Alguns jogadores que já passaram pelo clube buscam na justiça o direito de receber os salários atrasados. Essa é uma das maiores preocupações de quem está vivendo essa realidade atualmente no Brazlândia.
O presidente Moacir Ruthes foi procurado para falar sobre a situação da equipe e comentar as denúncias, mas não atendeu, nem retornou aos telefonemas.
O Brazlândia vai a campo nessa quarta-feira (21) para enfrentar o Luziânia em uma das semifinais da Taça JK. A outra partida é entre Ceilândia e Brasiliense.