Muricy Ramalho não esconde ser um viciado em futebol. Sabe até o que acontece em jogos apagados da Copa Sul-americana. Por isso, tem o hábito de estudar todos os adversários para passar os detalhes a seus comandados. Contra o Botafogo, enfrentará um time na estreia de Estevam Soares, e se prepara para vencer o colega em uma partida de equilíbrio tático.
“O Estevam é um bom treinador e com certeza vai tentar nos complicar, buscar ganhar o jogo. Às vezes o esquema tático parece defensivo, mas enquanto você está sendo atacado abre espaço para atacar o adversário. É um jogo de xadrez”, definiu o técnico do Palmeiras, conhecido do substituto de Ney Franco.
O atual comandante do Verdão e o recém-chegado chefe em General Severiano jogaram juntos no São Paulo nos anos 70 e se reencontraram já aposentados no Guarani, em 1996. “Conheço bem o Estevam. Jogamos juntos e ele foi meu auxiliar quando começou a carreira de técnico, no Guarani. E é meu amigo”, comentou Muricy.
No reencontro com o ex-zagueiro, agora como adversário, Muricy espera não ser surpreendido com alguma novidade de Estevam. O técnico do líder do Campeonato Brasileiro sabe todas as armas do atual 15º colocado da competição, que só não está na zona de rebaixamento porque tem um ponto a mais do que o Náutico.
“A bola parada deles é importante. Eles têm o Juninho, que foi meu jogador. Por isso não pode ter falta perto da área. E tem coisas que são sempre iguais. Na bola parada, é proibido tomar gol. Temos numerado quem bate e quem cabeceia no time deles”, contou. “Se não tomar cuidado, você perde o jogo. E faço questão de trabalhar bem o meu time. O adversário, para ganhar da gente, tem que jogar muito”, alertou, ainda invicto à frente do Palmeiras.
Neste sábado, Muricy espera o time carioca animado pela troca de técnico, apesar de discordar desta relação. “Não deveria ser assim. É obrigação do jogador estar motivado. Em time grande, não existe isso de motivar. Na troca de técnico, o que existe é que quem chega vem com um esquema diferente, e isso mexe um pouco com o time que está em baixa na tabela”, comentou, enfatizando seu fanatismo por táticas.
“O futebol é muito simples. Quando se está sem a bola, tem que analisar quem e como marcar, se o adversário ataca com os alas, quem são os pensadores deles. Quando toma a bola, saber como atacar, quem faz a cobertura. Analisar o time por número de atacantes e defensores é uma coisa bem ultrapassada”, argumentou, defendendo-se das críticas por escalar muitos volantes.
“Mas hoje e no meu tempo quem faz a diferença é o jogador. Em um time sem tanta estrutura para trabalhar e contratar, a comissão técnica, e não o técnico, tem 25% de responsabilidade. Em time grande é 20%, mas são 20% superimportantes, porque tem que orientar os jogadores para detalhes importantíssimos”, concluiu.