A arritmia cardíaca que sofreu recentemente fez o técnico Muricy Ramalho repensar a sua vida. Ele passou a se exercitar no CT da Barra Funda e começou a dar mais atenção ao projeto de interromper as suas atividades profissionais ao término da próxima temporada.
“Penso em dar uma parada. Preciso disso porque sou um cara muito intenso no que faço. E sofro bastante. Tenho uma preocupação grande com a minha saúde porque muita gente depende de mim, não só os meus filhos. Eu me assustei desta vez. Já tive outras coisas e acho que tenho que dar uma parada”, avisou.
Muricy Ramalho sabe que dificilmente conseguirá se afastar do futebol – tal qual ocorreu com o goleiro Rogério Ceni, que adiou a sua aposentadoria pelo segundo ano consecutivo. Quando o técnico teve o último problema de saúde, o médico são-paulino José Sanchez já avisava que ele sentiria falta do dia a dia agitado do clube se optasse por uma atitude mais drástica. Mesmo que o estresse tenha sido a principal causa da arritmia cardíaca.
“Mas preciso viver um pouco. A vida da gente não é normal. Ficamos presos de segunda a segunda no trabalho. O futebol exige demais. Por isso, o que posso fazer é dar uma parada no final do ano que vem para só depois, quem sabe, voltar a trabalhar”, insistiu.
Com um sorriso no rosto, no entanto, o próprio Muricy reconheceu que está sujeito a seguir o exemplo de Rogério Ceni. “Tudo muda muito rapidamente no futebol. A gente fala uma coisa de manhã e pode dizer outra à noite. As pessoas te convencem, né? É como fizemos com o Rogério. Ele estava decidido a parar e vai jogar mais um pouco”, lembrou.
Proposta
Muricy Ramalho poderia ter deixado o São Paulo ainda neste final de ano, porém não em função de uma aposentadoria. “O Campeonato Brasileiro nem acabou e já tenho proposta”, revelou. “Mas é claro que existe o meu compromisso com o São Paulo e que não vou sair”, ponderou o comandante.