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Futebol

Multa, imagem e falta de opções causaram permanência de Ney Franco

Arquivo Geral

23/07/2014 18h29

A decisão da diretoria do Flamengo de manter o técnico Ney Franco no cargo mesmo após a goleada de 4 a 0 sofrida para o Intyernacional não foi apenas técnica. O presidente Eduardo Bandeira de Mello levou em consideração diversos fatores e, mesmo pressionado por diversos ex-presidentes e até por conselheiros de sua base aliada, optou por não mexer com o treinador. O primeiro aspecto que pesou foi a questão financeira, já que a multa rescisória de Ney Franco é de R$ 1 milhão, equivalente a dois meses de receita do treinador com salário, patrocinador e direitos de imagem.

Apesar de a diretoria do Flamengo garantir que o treinador tem acordo com o clube apenas com base na legislação trabalhista, seu contrato prevê multa rescisória, nos mesmos moldes do vínculo que ligava Mano Menezes ao clube. O treinador, hoje no Corinthians, teve que pagar aproximadamente este valor ao Rubro-Negro quando pediu demissão.

Outra situação que fez com que Eduardo Bandeira de Mello descartasse a demissão de Ney Franco lhe foi apresentada por Felipe Ximenes, diretor executivo do departamento de futebol do clube e amigo do treinador. O dirigente mostrou ao presidente que demitir o técnico neste momento seria mostrar falta de planejamento, uma vez que o Rubro-Negro ficou 30dias treinando durante a Copa do Mundo. Logo, seria preciso dar um crédito a Ney, senão poderia parecer desespero ou uma decisão tomada apenas para tranquilizar torcedores e conselheiros.

Por fim, pesou ainda a total falta de opções no mercado. Com o Flamengo ocupando a lanterna do Campeonato Brasileiro, a torcida e a imprensa não aceitariam um nome qualquer. Porém, existem poucos técnicos consagrados disponíveis na praça e até mesmo eles olhariam com ressalvas a possibilidade de dirigir neste momento um clube que se tornou um verdadeiro barril de pólvora. Tite, por exemplo, deverá ser anunciado em breve como técnico da seleção japonesa. Dunga, que era monitorado, acertou com a Seleção Brasileira.

Outra possibilidade seria apostar em algum nome com ligação histórica com o clube, porém, a maneira como Andrade foi demitido na gestão anterior e como Jayme de Almeida deixou o clube durante este mesmo Campeonato Brasileiro, incomodou muito gerações vitoriosas do Rubro-Negro. Críticas foram feitas por diversos ex-jogadores, como Júnior, Zico e Nunes.

Em relação à saída de jogadores, o clube realmente desistiu de rescindir o contrato do lateral esquerdo André Santos. A medida chegou a ser tomada, tanto que o jogador a comunicou por intermédio de sua assessoria de imprensa. A pressão, porém, foi grande, já que a decisão da diretoria poderia ser vista como influenciada pelo fato de torcedores terem agredido o jogador. Assim, seria um gol contra na luta contra a violência de algumas facções.

Quem realmente deixou o clube foi Michel Assef, que entregou o cargo de vice-presidente de Relações Externas apenas duas semanas depois de ter assumido o lugar de Plínio Serpa Pinto, outro a se demitir. Assef tem ligações com os ex-presidentes que estão exigindo mudanças drásticas da atual diretoria do Flamengo, e sua permanência estava sendo mal vista por antigos aliados.

É com este cenário de incertezas que o Flamengo vai enfrentar o Botafogo no próximo domingo, às 18h30 (de Brasília), no Maracanã, no Rio de Janeiro (RJ), pela 12ª rodada do Campeonato Brasileiro. O time para este compromisso deverá ser confirmado nesta quinta, dia de treinos em período integral.

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