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Futebol

Modesto Roma Jr. se diz único oposto e quer resgatar as tradições

Arquivo Geral

11/11/2014 13h02

Cinco candidatos pleiteiam a cadeira de presidente do Santos Futebol Clube no próximo triênio. Modesto Roma Jr., porém, garante que é o único representante da oposição. Sem meias palavras, Modestinho, como é conhecido, lista seus concorrentes à eleição de 6 de dezembro, lembrando suas ligações com a atual gestão, tão criticado por sua chapa, a ‘Santos, Gigante’.

Filho do ex-presidente Modesto Roma, que comandou o clube de 1975 a 1978, jornalista e ex-dirigente do Peixe, o candidato de 62 anos promete realizar uma reforma geral no alvinegro praiano, visando a manutenção das tradições, o apoio incondicional aos sócios e a mudança estatutária.

Dando sequência na série de entrevistas da Gazetaesportiva.net com todos os candidatos à presidência do Santos FC, leia na íntegra o bate papo com Modesto Roma Jr.

Por que o senhor deseja ser presidente do Santos FC?

Porque sou o único candidato que representa o oposto do que vemos hoje no clube. Sabe, dizem que a oposição no Santos é desunida. Não vejo assim. Aoposição é unida. Quem está dividida é a situação. Eu explico e mostro falando dos outros candidatos: Um foi o gestor do futebol da atual gestão e é conselheiro eleito pela chapa Luis Álvaro e Odílio Rodrigues. O outro foi vice-presidente do Conselho da atual gestão e também é conselheiro eleito pela chapa Luis Álvaro e Odílio Rodrigues. Tem o candidato do Odílio que diz que é o “novo” de verdade. Tem um outro que, durante a eleição de 2009, já trocou de lado e afinou com a atual diretoria, pretendendo ficar em seu cargo no G-4 Paulista, ou seja, ele é pelo poder transvertido de novo. Então, a única candidatura que representa o oposto do que vemos hoje no clube é a nossa. Contamos com o apoio de grupos oposicionistas na essência, como a Santos Sempre Santos, União Alvinegra, Orgulho de Ser Santos e Re9. Além disso, conto com o apoio importante do Marcelo Teixeira, de ex-presidentes do Conselho, como José da Costa Teixeira, Esmeraldo Tarquínio e Florival Amado Barletta, e de ex-jogadores diversos. Ter esses apoios é importante, mas não serei refém de nenhum deles. Quem irá decidir e se responsabilizar pelo Santos FC será eu, como presidente. Tenho história no clube e compromisso com o sócio. Vivo o clube desde que me associei, em 1958. Fui diretor da gestão do meu pai, em 1975, e atuei diretamente na contratação de três futuros Meninos da Vila, campeões paulistas de 1978: Ailton Lira, Neto e João Paulo. Depois, fui vice-presidente de Comunicação da gestão do Milton Teixeira, em 1983, e inovamos em várias ações neste setor. Virei supervisor administrativo em 2004 e, a pedido do Marcelo Teixeira, modernizamos a gestão do clube. Acabamos com as máquinas de escrever, que ainda sobreviviam na Vila e implantamos uma rede moderna de informática. Criamos o projeto Vila Digital, que possibilitou as catracas e carteiras inteligentes. Graças a este projeto, o sócio do Santos não precisava mais pegar fila para comprar ingressos. Com a própria carteira ele liberava a catraca e pagava o ingresso via boleto ao fim do mês. Também conseguimos o valor de meio ingresso aos sócios. Graças as nossas ações, encadeiramos todos os setores de sócios da Vila Belmiro e ampliamos a área do quadro associativo contribuinte no estádio para o ‘retão’ contrário ao das sociais. Além disso, nos foi confiado à gestão do projeto Sereias da Vila e montamos uma das principais equipes do planeta dentro do futebol feminino, conquistando a inédita Taça Libertadores da América logo em sua primeira edição, competição que ajudamos a criar dentro da Conmebol, com minha atuação direta. Enfim, tenho folha de serviços para mostrar e o sócio me conhece.

Quais os principais pontos da sua proposta de governo?

Nossa proposta tem cinco eixos básicos e sete pilares. Caso o leitor da Gazeta queira se inteirar mais, há um post com todas as nossas ideias no meu blog: ModestoRoma.com.br. O primeiro eixo é o gerenciamento da crise financeira do clube. E a palavra de ordem é a seriedade. Outro eixo será a reestruturação do clube, administrativa e do seu estatuto social. A palavra de ordem nesse eixo é a experiência. Temos como terceiro ponto a administração. Não podemos gastar mais do que arrecadamos. A palavra de ordem aqui será a transparência. Outro eixo será o marketing. Queremos inovar na busca de receitas, e melhorar os ganhos alternativos do clube. A palavra de ordem será a criatividade. O último eixo e o mais importante é o futebol. E a palavra de ordem nesse eixo será alma. A alma do torcedor santista. Queremos montar times que representem o futebol que o torcedor santista gosta de ver, ofensivo, como sempre foi na história do clube.

O senhor é a favor da manutenção do Comitê Gestor nos moldes de hoje?

Não sou, mas quem tem pode decidir sobre isso é o Conselho Deliberativo e o quadro associativo. Vamos propor uma revolucionária reestruturação do clube. Neste tema, a palavra de ordem é experiência. Vamos propor uma reestruturação organizacional, a fim de dar mais agilidade e mais qualidade à gestão. Contamos com profissionais com vivência no clube que irão apresentar um projeto de gestão e de reforma estatutária sério e competente. Veja, quando um grupo de nove pessoas precisa aprovar compra de jogador, prego, papel e tudo mais no clube, não tem como ter agilidade. Queremos, sim, formar um Conselho de Administração que vai definir as políticas de atuação do clube em seus setores. Não é um conselho que vai decidir gestão. Quem fará isso serão os profissionais contratados para tanto. Esse conselho vai definir políticas de ações e será dirigido pelo presidente do clube. O regime precisa ser presidencialista. O associado precisa filtrar a culpa e os méritos. Não dá pra ser um clubinho para os envolvidos dizerem que não têm responsabilidade sobre uma decisão porque votou diferente. É se esconder atrás das costas dos outros. Isso nunca fiz e nunca concordei.

Quais os planos para a Vila Belmiro?

Sabe, lá em casa, quando eu era um menino, eu e meus irmãos dizíamos que a Vila Belmiro era nossa primeira casa. Papai levava sempre todos pra lá, pois ia dirigir o clube. Lembro quando pedi para entrar de sócio, em 1958, para ter uma cadeira com meu nome nas sociais do estádio. Enfim, amamos a Vila Belmiro e ela é a casa do Santos FC. Nossa ideia é valorizar a Vila, mantendo-a como um estádio, um verdadeiro templo do futebol de alma do Peixe. Vamos continuar mandando jogos em nossa casa. Sempre que for possível e estrategicamente importante para os negócios dentro e fora de campo do clube, nos apresentaremos na Vila Belmiro.

Construir uma nova Arena ou assumir o Pacaembu está no planejamento?

O Santos FC perdeu o bonde da história para construir uma nova arena, que foi a Copa do Mundo. Nova arena só sai se conseguirmos bons parceiros e se acharmos uma área interessante na Baixada Santista ou em São Paulo. Agora, o Santos tem que jogar em todos os lugares. Mas, vamos jogar sempre onde os santistas estiverem, seja no Pacaembu, Morumbi, Maracanã, estádios onde estamos acostumados a jogar e que foram palcos de alguns dos nossos principais títulos, como também na Arena Pantanal e em outros novos estádios feitos para a Copa. Porém, sempre mantendo os direitos dos sócios nesses estádios, como se eles estivessem na Vila Belmiro. Tem que ser feita uma coisa competente. Fazer um estudo de mercado. Onde há a carência do torcedor ver jogos do Santos? Onde estão os torcedores do Santos? E ter um espetáculo bom. Ninguém vai ver jogador que mata a bola de canela e chuta com a trava da chuteira. Vai ver se tiver espetáculo. Torcedor não dá esmola para o clube, não. Ele vai ver e vai se divertir. Não vai ficar p… da vida com o jogo ruim. O segredo é fazer um futebol competente. Pensamos que onde estiverem os santistas, lá estará o Santos FC. Quanto ao Pacaembu, por que iria assumir um estádio tombado pelo patrimônio histórico, onde não posso fazer sequer um banheiro, para administrar? É melhor alugarmos o Pacaembu, o Morumbi, a Arena Corinthians e a Arena Palestra sempre que optarmos por jogar na Capital.

Voto à distância é uma boa alternativa para as próximas eleições?

Não é hora de discutir regras eleitorais há poucos dias do pleito. Quero promover uma grande discussão do estatuto, como já expliquei, junto com os conselheiros e sócios. Quero ouvir as propostas de todos eles. Inclusive sobre as eleições. Vamos de forma democrática ouvir as propostas, colocá-las aos sócios e estes decidirão o que desejam para o pleito do clube. O Santos FC vive uma séria crise financeira e já adiantou algumas cotas. O que o senhor pretende fazer para gerar receita e onde deseja investir? Vamos criar um gabinete de renegociação da crise financeira do clube para alongar prazos dos quase R$ 160 milhões de passivo de curto prazo que o clube terá que pagar em 2015, com negociações conduzidas com profissionais de mercado especialistas nesta questão. Não dá para brincar com amadores pensando o futuro do clube. Vamos também administrar o clube dentro de sua realidade. Hoje para cada R$ 100 gastos no Santos, o clube dispõe apenas de R$17 para pagar os débitos. Um absurdo. Um suicídio financeiro. Vamos mudar esse quadro. Queremos abusar do marketing para gerar receitas alternativas e também vamos alongar dívidas a fim de tornar o clube administrável. Em nossa gestão o Santos FC vai honrar seus compromissos e precisará de gente séria para conduzir acordos que permitam isso. Investimentos serão feitos dentro da realidade de momento do clube. Porém, nunca vamos deixar de priorizar o futebol e o bom espetáculo, que são o negócio do Santos. Ninguém vai aos estádios ver um time ruim, por mais apaixonado que seja. Queremos montar uma equipe competitiva, com revelações da nossa base e jogadores que darão sustentação a eles. Além disso, queremos construir uma escola de gestores e de treinadores do Santos FC. Não dá para pegarmos um bom treinador da base, como o Márcio Fernandes, o Narciso e o Claudinei, colocar no time profissional e depois dispensar. Vamos capacitar nossos treinadores, levá-los para intercâmbios para que no dia que for preciso eles estejam prontos para repetir o sucesso de Luis Alonso, o Lula, que dirigiu o Santos por 12 anos em suas principais conquistas. E era treinador da base.

Na sua opinião, Leandro Damião foi um bom investimento feito pelo clube?

O Leandro Damião hoje é patrimônio do Santos FC. Se o Conselho Gestor fez um bom ou um mau negócio trazendo ele não me cabe como candidato opinar. Era uma decisão que cabia ao Conselho Gestor e cabe a eles fazerem essa reflexão. Não podemos envolver o elenco em disputas eleitorais.

Na sua visão, o que aconteceu de melhor no Santos FC nos últimos anos?

Sem dúvida, foi o título da Libertadores da América.

E o que mais contribuiu negativamente para o mesmo período?

Claro que foi o caso Neymar-Barcelona. Começa pelo documento que autoriza o atleta a negociar. Um absurdo. Depois a derrota para o Barcelona por 4 a 0 no Mundial com o jogador já vendido. E quero lembrar que nem presidente, nem Supervisor de Futebol, ninguém que tinha responsabilidade sobre o assunto se atentou a isso. Continua com a venda do jogador por apenas 17 milhões de Euros para o clube, que ainda teve que repartir esse valor e pagar 40% para a DIS e 5% para a Teisa, que era recheada por membros do Comitê Gestor. E termina com a derrota por 8 a 0 em uma partida marcada de forma irresponsável e que nada valia. Derrota que arranhou muito a excelente imagem internacional que o Santos FC construiu.

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