Empurrado por quase 20 mil pessoas no Pacaembu, o Brasil ficou muito perto de conquistar o bicampeonato do Torneio Internacional Cidade de São Paulo, que teve sua segunda edição disputada neste ano. Aos 37 minutos do segundo tempo, porém, a capitã Christine Sinclair marcou um lindo gol e definiu o empate por 2 x 2, frustrando a torcida que já festejava. Campeãs no ano passado, as meninas da seleção brasileira viram o Canadá erguer a taça.
As duas equipes terminaram a primeira fase com sete pontos, mas as canadenses tinham a vantagem do empate pelo maior saldo de gols. Sabendo disso, o Brasil foi ao ataque desde o começo, mas saiu perdendo com um gol de Belanger, no fim do primeiro tempo. Na etapa complementar, Marta brilhou, marcou dois gols, virou o jogo e deu início à festa que seria frustrada por Sinclair.
Concorrendo ao penta no prêmio Fifa de melhor do mundo, Marta foi a artilheira do torneio com seis gols. Muito ovacionada pelos torcedores de todas as equipes no Pacaembu, ela jogará no Santos até o dia 6 de fevereiro de 2011, para depois retornar aos Estados Unidos.
O terceiro lugar ficou com a Holanda, que bateu o México, vice-campeão em 2009, por 2 x 1, na preliminar. Curiosamente, parte da torcida brasileira “adotou” as europeias desde a primeira rodada e comemorou a vitória.
O jogo – Novamente postado no 3-5-2, com a meio-campista Erika improvisada como zagueira, o Brasil entrou em campo com uma modificação em relação ao último compromisso: contundida, Grazielle deu lugar a Gabriela, que começou bem e, ao lado de Marta, ajudou o Brasil a dominar as ações.
Mas ao contrário do último jogo da primeira fase, as canadenses não entraram em campo pensando apenas no setor defensivo e deram um susto nas brasileiras aos 15 minutos, quando Aline bobeou à frente de Sinclair, que rolou para Belanger chegar batendo, sem direção.
No meio da etapa inicial, o jogo teve uma rápida parada técnica em virtude do forte calor. Fora dos gramados desde a rodada inaugural da competição por causa de uma luxação no ombro, a atacante Cristiane acompanhou a partida no banco de reservas e aproveitou a pausa para orientar a jovem Thaisinha, sua substituta, que sofria com a marcação de Nault.
Aos 29 minutos, nova paralisação: a zagueira Renata Costa sentiu o joelho esquerdo e deixou o campo chorando, com suspeita de lesão grave, para a entrada de Marina. O Brasil seguiu no ataque, mas exagerou nos cruzamentos e não foi eficiente. Para piorar, Tancredi foi ao fundo pela esquerda e cruzou para Belanger, que cabeceou livre e abriu o placar para o Canadá, aos 43.
Precisando da virada, a seleção brasileira voltou para o segundo tempo com Andréia Rosa e Daniele nos lugares de Erika e Thaisinha. A equipe retornou errando muito e quase sofreu o segundo em jogada de Sinclair, mas Marta fez a diferença aos nove minutos: ela disparou em velocidade, aplicou uma meia-lua na entrada da área e tocou na saída de Labbe, marcando um golaço.
O Brasil melhorou depois do empate e, guiado pelo talento de Marta, encurralou as canadenses. Aos 24 minutos, Labbe saiu errado após cobrança de falta e Rosana acertou o travessão no rebote. No lance seguinte, a bola bateu na mão de Marie-Eve Nault em chute de Daniele: pênalti e expulsão da defensora.
Em grande tarde, Marta pegou a bola e bateu rasteiro, no canto direito da goleira, e marcou aquele que seria o gol do título brasileiro. Mesmo em desvantagem numérica, o Canadá foi ao ataque e já havia obrigado a goleira Andréia a fazer grande defesa em chute de Belanger quando Christine Sinclair mostrou porque é considerada uma das melhores jogadoras do mundo.
Aos 37 minutos, ela dominou pela meia direita e bateu colocado, de longe, com muita categoria. A bola encobriu a arqueira brasileira e ainda bateu na trave antes de morrer no fundo das redes e calar o Pacaembu, que já comemorava o titulo. O Brasil insistiu, a torcida empurrou, mas o gol que mudaria a alegria de lado não aconteceu, mesmo com a goleiro Andréia indo ao ataque.