O discurso de ordem no Palmeiras é de que a quinta colocação no Campeonato Brasileiro, a três pontos dos líderes Flamengo, Grêmio e Cruzeiro, deixa o time em boas condições na tabela. A opinião, no entanto, não é compartilhada pelo capitão da equipe. Ansioso pelo título, Marcos não está satisfeito com a posição ocupada pelo Verdão.
“A nossa vitória contra o Vasco foi boa porque a cada jogo é importante somar pontos. Nós não estamos bem no campeonato, estamos só em quinto. E o Wanderley não quer que o time se contente com uma vaga na Libertadores, quer o título”, raciocinou o goleiro, sempre repetindo a filosofia vencedora do técnico.
As palavras do ídolo alviverde vão de encontro com os comentários otimistas que têm dominado o clube. Ainda reprovando a campanha atual, Marcos não gosta nem de ouvir que o Palmeiras é favorito na competição e pede calma antes de qualquer projeção em relação a qualquer um dos concorrentes.
“O campeonato é muito longo. Claro que boas partidas animam um pouco a torcida e os jogadores, mas é muito cedo para se falar em título. O Palmeiras não é um dos favoritos, mas um dos candidatos junto com outros cinco ou seis equipes que estão na disputa, como o Flamengo e o Cruzeiro, que estão muito bem. Com certeza vai ser o campeonato mais duro dos último tempos”, previu, alertando o elenco campeão paulista de que o Nacional tem outro nível.
“Vencer o Vasco deixa a gente motivado, mas ainda temos muito a fazer. O Brasileiro é bem mais difícil que o Paulista, tem sempre estádio cheio com a torcida motivando seu clube. E no futebol, só posa de campeão quem está levantando a taça. Até então, sem pose”, pregou.
E para estar na cobiçada foto em dezembro, o camisa 12 aposta na maratona de jogos que se iniciará em 5 de julho. A partir desta data, os 20 clubes do Brasileiro emendarão seqüência de 11 partidas em 35 dias. “A gente crê que quando começarem os jogos de quarta-feira e domingo a gente vai embalar, porque você só joga e descansa. Quando é só um jogo por semana, dá uma quebrada”.
Além da continuidade na competição, o arqueiro pede mudanças dentro de campo. “A gente perdeu do Coritiba por 2 a 0 e foi muito mal, empatamos com a Portuguesa. perdemos para o time reserva do Sport. Temos que nos esforçar para manter uma regularidade. É isso que a gente precisa”, definiu.
Dentre as receitas do capitão, também está a de não fazer planos a longo prazo, como já pensar no clássico contra o São Paulo em 13 de julho. “Para mim, cada jogo vale três pontos, eu analiso da forma mais simples. Não adianta perder três e ganhar do São Paulo porque a gente vai ficar muito atrás na tabela. Senão, a gente já começa a pensar no Flamengo na antepenúltima rodada. Agora, a gente tem que estudar o Náutico”, diz o goleiro, que só pensa em levantar outra taça.
“Claro, se o título não vier, a Libertadores acaba sendo um prêmio. Mas hoje em dia estão valorizando muito a Libertadores e esquecendo de ser campeão. E o Palmeiras tem time para ser campeão”, sentenciou.
Na igualdade, até Timbu tem chance – Para Marcos, o equilíbrio deste Brasileiro é tanto que até o Náutico, cotado no início do torneio como possível rebaixado, não surpreenderá se permanecer na zona de classificação da Libertadores até a última rodada.
“Acho que o Náutico tem condições sim. Hoje em dia você encontra grandes jogadores em clubes assim, como o Warley. E é comum e cada vez mais normal esses times formarem um bom elenco, como o Náutico montou, e disputar o campeonato, vaga na Libertadores. A gente não sabe quem vai ser campeão, mas sabe que vai ter dificuldade”, avaliou.
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