A decisão entre Corinthians e Santos por uma vaga na final da Taça Libertadores da América respingou no técnico da Seleção Brasileira Mano Menezes. Depois do jogo de ida na Vila Belmiro, o treinador foi acusado por Luis Álvaro de Oliveira Ribeiro, presidente santista também conhecido como Laor, de beneficiar o Timão principalmente por desgastar Neymar nos recentes amistosos disputados na Europa e Estados Unidos. Nesta terça-feira (19), veio a resposta.
“Fico um pouco chateado com algumas questões. Você toma todos os cuidados para fazer o certo, que dá muito trabalho no Brasil. Mas não posso policiar o que as pessoas pensam e falam. Minha obrigação é fazer o trabalho de técnico da Seleção Brasileira”, disse o comandante da equipe pentacampeã mundial, durante evento comercial na capital paulista.
Luis Álvaro de Oliveira Ribeiro considera que a presença de Neymar em três dos recente quatro amistosos no exterior causou desgaste físico e até psicológico, enquanto nenhum corintiano representou a Seleção. Na derrota santista por 1 a 0 na semana passada, o atacante ficou longe de apresentar o desempenho esperado. Mano ressalta, porém, que a atuação apagada do camisa 11 não tem relação com qualquer tipo de cansaço vindo da participação no time verde-amarelo.
“O Neymar participou só de três jogos (ficou fora contra a Dinamarca). Tivemos compromissos a cada seis dias, não é uma frequência que desgasta. Se ficasse no Brasil, ele teria jogado mais. Mentalmente também não jogamos nada tão decisivo a ponto de causar problemas ao Neymar. É bom ter calma, saber que existe uma disputa fora das quatro linhas, nessa hora a gente fala com intenções de provocar certas reações, desequilibrar o outro lado, mas acho que é bom manter o respeito, o jogo é grande porque os dois times são muito bons”, afirmou o treinador.
Em nenhum momento da entrevista desta terça-feira, Mano Menezes pronunciou diretamente o nome de Luis Álvaro de Oliveira Ribeiro. Na verdade, o técnico descarta prolongar seu desgaste com a troca de farpas.
“A discussão está no nível dos dirigentes. Se o Muricy tivesse falado algo, teríamos uma conversa, temos um bom nível de relação como faço com todos os técnicos. As portas e o telefone do técnico da Seleção estão sempre à disposição para o profissional que quer um diálogo e que queira debater a área técnica. A área administrativa deve ser resolvida pela parte diretiva. Se é o presidente do Santos falando, deve ser resolvido pelo nosso diretor, o Andrés”, comentou.
Por fim, Mano Menezes repetiu que o projeto de intensificar a preparação da Seleção Brasileira olímpica estava previsto e anunciado desde o ano passado. “Todos tiveram oportunidade de ver, estamos falamos faz um ano que direcionaríamos a etapa final para a montagem da Seleção olímpica, não havia oportunidade de fazer isso de forma isolada. No Brasil, não há chance de tocar um projeto olímpico por questões não resolvidas do calendário. Fizemos uma preparação paralela, convocando olímpicos junto com o time principal em uma porcentagem de 20 ou 30%. Chegaria o momento que faríamos a inversão, estava tudo previsto para os jogos de maio e junho”, encerrou o treinador.