Luís Antônio Venker de Menezes, conheciodo como Mano Menezes,
aceitou o convite para a seleção brasileira com a imagem de um técnico eficiente da nova geração, disciplinador, vitorioso e, principalmente, estudioso. Foram anos de preparação para alcançar um dos postos mais altos que a profissão pode gerar. Ao contrário de grandes comandantes brasileiros, Mano teve carreira de pouca expressão como jogador – atuou em times amadores. Aprendeu quase tudo fora dos gramados.
“Ele sempre foi uma pessoa muito estudiosa. Ele acompanha o futebol a fundo, estuda muito, analisa os aspectos da equipe dele e do adversário. É muito compenetrado, com disciplina e liderança muito fortes. O grupo todo gostava dele”, contou Pedro Kölling, que era presidente do Guarani-RS na época em que Mano estreou como treinador. Ele foi a aposta da equipe de Venâncio Aires para, em 1997, comandar a primeira experiência com futebol profissional.
Antes disso, Mano Menezes havia treinado as categorias de base de diversas equipes gaúchas – o próprio Guarani-RS e o Internacional foram algumas delas. Formado em Educação Física, se uniu à comissão técnica de Paulo Autuori em 1997 para um período como estagiário. Na volta, recebeu o convite do clube gaúcho. “Ele sempre levava o time aos quadrangulares com Grêmio, Inter e Caxias. O trabalho era bem feito, revelava vários jogadores”, contou Kölling.
“Ele não se cansa”, resumiu o ex-dirigente, atualmente administrador do Banco do Brasil em Passo Fundo. Tais características foram mantidas e aperfeiçoadas pelo treinador ao longo dos anos. No Corinthians, seu ponto mais alto na carreira, ele tem total apoio da diretoria e do elenco, apesar do tropeço na Copa Libertadores, título mais esperado no ano do centenário. O zagueiro e capitão William confirmou a fama de estudioso apontada por Pedro Kölling.
“Ele assiste a muitos jogos, até de forma exaustiva. Isso o credencia para alcançar grandes sonhos, e a seleção brasileira é algo que todo técnico busca”, afirmou o atleta. Essa não é a única virtude do gaúcho, que sempre reverenciou Luiz Felipe Scolari e Ênio Andrade. Talvez por isso, tenha tanta facilidade no trato com os atletas. Teve poucos problemas com o elenco do Corinthians, mesmo contando com estrelas como Ronaldo e jogadores badalados pelas conquistas de 2009.
“O Mano é um treinador ponderado, que consegue equilibrar bem a questão da disciplina com a não-camisa-de-força. Ele orienta bem os jogadores a cumprir o que deve ser feito. Ninguém se sente obrigado a fazer, ele faz entender que é o melhor. Ele preza muito o ambiente de trabalho. Disso, não abre mão”, continuou William. Apesar de ácido em algumas declarações, Mano é constantemente elogiado. O último a exaltá-lo foi o próprio Scolari.
De acordo com Pedro Kolling, o caráter conciliador de Mano também se faz presente em suas relações pessoais. “Ele mantém os vínculos, tem bons relacionamentos na sua cidade natal (Passo do Sobrado-RS). Recentemente, participou de uma campanha para o hospital (São Sebastião Martir). Foi o garoto propaganda para levantar fundos para o aumento da UTI. Toda vez que volta para lá, vai às rodas de chimarrão rever os amigos. Ele brinca muito, é uma pessoa extrovertida”, contou o ex-dirigente.
Mano Menezes se envolveu em poucas polêmicas na carreira. A maior delas diz respeito à sua relação com o empresário Carlos Leite. O treinador favoreceria a escalação e a negociação de atletas pertencentes ao seu agente, fato desmentido seguidas vezes ao longo dos anos. Com poucos problemas extra-campo, muito estudo e o apoio de seus jogadores, ele não demorou a conquistar títulos. O primeiro veio em 2002, quando voltou ao comando do Guarani-RS.
A equipe de Venâncio Aires se sagrou campeã do Campeonato Gaúcho – naquele ano, a competição era disputada sem Inter e Grêmio, que jogariam uma segunda fase, chamada Supercampeonato Gaúcho. Mano trabalhou também no Iraty-PR e Esportivo Brasil-RS antes de chegar ao XV de Novembro, em 2003. Com o modesto time de Passo Fundo, alcançou a semifinal da Copa do Brasil, sendo derrotado pelo Santo André, que se sagraria campeão.
Em 2005, chegou ao Grêmio como aposta para a reformulação da equipe, que disputaria a Série B nacional. O objetivo foi alcançado, mas de forma muito complicada. O acesso só foi garantido na Batalha dos Aflitos – partida em Recife na qual o Grêmio venceu o Náutico atuando com apenas nove atletas em campo. No ano seguinte, terminou com a 3ª colocação da Série A do Brasileiro. Em 2008, conquistou o Gauchão e chegou à final da Copa Libertadores, perdendo para o Boca Juniors.
As boas temporadas com o Tricolor Imortal o credenciaram para comandar o Corinthians, outro gigante que teria de renascer na Série B. Em sua chegada, sequer levou o time à semifinal do Paulistão, mas foi campeão da Segundona com direito ao melhor início da história da competição – 11 jogos sem derrota, oito vitórias e três empates. Mais glórias em 2009: título do Paulistão e da Copa do Brasil, na volta do Fenômeno Ronaldo aos gramados. Apesar das derrotas nesta temporada, briga pelo título nacional.
“Quando se aposta em alguém, às vezes você imagina que a pessoa pode dar certo. Mas como o Mano foi uma surpresa, até pela velocidade com que tudo ocorreu. Foi uma ascensão direta até ter o nome cogitado para a seleção brasileira”, opinou Pedro Kölling. Agora, Mano se prepara para seu maior desafio: comandar a verde-amarela para a Copa do Mundo de 2014, que será disputada no Brasil. Não haverá jogos de Eliminatórias como preparação.