Nos últimos anos dez anos, tumultos e confrontos entre torcedores de futebol resultaram em 33 mortes no Brasil, 22 delas somente no estado de São Paulo. Os números constam de um levantamento produzido pela professora da Universidade de Campinas (Unicamp), Heloísa Baldy, especialista em direito e sociologia do esporte.
“A maioria das mortes foi provocada por armas de fogo em brigas entre torcidas ou entre torcedores e policiais”, destacou Heloísa Baldy à Agência Brasil, após participar hoje (31) de uma audiência pública no Ministério da Justiça, onde foram discutidas possíveis alterações no Estatuto do Torcedor.
A especialista considera fundamental tornar a legislação vigente mais rigorosa para punir os maus torcedores. “O fim da violência depende de uma vigilância maior e do fim da impunidade, alterando o Estatuto do Torcedor, para criminalizar não só os homicídios no ambiente do esporte, mas também os pequenos delitos. São eles que motivam pessoas, que têm grande atração pela violência, a se associar aos torcedores para, num ambiente de massa, se tornar anônimo e cometer transgressões que podem se transformar em grandes tragédias”, argumentou a professora.
Segundo Heloísa Baldy, no Brasil ainda não há dados sobre a relação entre detidos e o respectivo vínculo às torcidas organizadas. Ela informou que irá se debruçar sobre todos os boletins de ocorrência relacionados a eventos esportivos desde 2005 e prometeu apresentar resultados consolidados em cinco meses.