Depois de se mostrar abatido e desgostoso com as críticas no começo da semana, Muricy Ramalho parece ter recarregado as baterias e está pronto para a segunda rodada do Brasileirão. Nesta sexta-feira, o treinador voltou a comparar seu antigo estilo de jogo com o do atacante Dagoberto e se entregou às reminiscências da juventude.
“O pessoal lembra de mim como um rebelde, mas só por causa do cabelo comprido e da bolsa a tiracolo. O jogador de futebol ainda não era aceito socialmente como é hoje. O pessoal olhava para o visual e já achava que eu fumava maconha e mais um monte de coisas”, explica Muricy, que acredita estar bem mais estressado na função de treinador.
Fã da Jovem Guarda, de Roberto Carlos e de Ronnie Von, Muricy revelou que fora de campo “seguia a moda dos anos 70 e usava tamancos, macacões e não abria mão do cabelo comprido”. Ao contrário do que poderia se imaginar, no entanto, o treinador não era fã de bandas estrangeiras como Rolling Stones, Alice Cooper, Led Zeppelin e Humble Pie.
“Meu parceiro de noite naquela época era o Serginho Chulapa. Ele me arrastava para o samba na Casa Verde. Então eu gostava mesmo era de samba”, afirma Muricy, que viveu os tempos em que os atletas eram marginalizados. “Hoje os jogadores freqüentam os Jardins e os melhores lugares. A gente não entrava, não”, destaca.
Trazendo o pensamento para os dias de hoje, Muricy garante não se esquecer dos tempos em que o técnico Jose Poy exigia que ele cortasse os cabelos. Para não cultivar ainda mais a fama de rabugento, o atual comandante do Tricolor tenta não interferir no visual dos seus atletas.
“Eu procuro deixá-los bem à vontade. Eles gostam de usar calças rasgadas, usam brincos. Em campo, eu já sou tão chato com eles que nesta parte procuro não me meter”, revelou Muricy Ramalho, que até hoje segue acompanhando a carreira de Roberto Carlos, seu grande ídolo na música.