A derrota por 3 a 0 para o Sport provocou mudanças no Palmeiras já depois da partida. Wanderley Luxemburgo, costumeiramente rápido para dar as entrevistas, demorou um pouco mais. Quando se apresentou aos jornalistas, veio acompanhado das três netas, que brincavam ao seu redor, mas não escondeu a irritação com o que viu em campo. Nos minutos a mais no vestiário, concluiu: além do Palmeiras e do Sport, o árbitro cearense Francisco de Assis Almeida Filho também influiu no primeiro tropeço dentro de casa no ano.
Em suas primeiras palavras, o técnico até tentou esconder as críticas ao apitador. “Não temos do que reclamar. O Sport mereceu, jogou com sua estratégia, fechado, apostando nos contragolpes, e conseguiu a vitória. Tenho é que parabenizar o Nelsinho (Baptista, técnico rubro-negro), que não é nenhum tonto no futebol, e o Sport, que não é um ‘clubeco’. Infelizmente nós não jogamos como gostaríamos”, declarou.
Não demorou, no entanto, para que a atuação de Francisco de Assis virasse assunto. Ao contrário de seus jogadores, o comandante alviverde não se indignou com o primeiro gol pernambucano, quando Carlinhos Bala estava em posição duvidosa ao tocar para Roger. Mas esbravejou contra o excesso de faltas dos visitantes sem a punição do cartão amarelo.
“Pior que a atuação da minha equipe foi a do árbitro. Não teve interferência direta nos gols. Se o Carlinhos Bala estava impedido ou não, é coisa do futebol. Mas quem olhar o início do jogo vai ver que tenho razão. Nos primeiros 20, 25 minutos, o Sport fazia as faltas e ele falava: ‘acabou!’. Na falta seguinte, falava ‘acabou!’ de novo”, relatou Luxa, culpando a falta de advertências pela pouca produção de seu ataque.
“O Sport encontrou uma maneira de matar seu adversário. Houve conivência da arbitragem com a seqüência de faltas que ele deixou acontecer. Aí houve erro do árbitro. Você inibe uma marcação muito bem feita com dribles, mas nessa seqüência, com a conivência do árbitro, o Sport usou de sua estratégia com propriedade”, analisou.
Preocupado com sua imagem, já relacionada às constantes reclamações sobre a arbitragem no Campeonato Brasileiro, o treinador garantiu que os novos protestos nada têm a ver com o resultado desta quinta-feira. O problema, segundo ele, está nos constantes erros dos apitadores nacionais.
“Isso não é choro do Luxemburgo. Não quero tirar o brilho da vitória do Sport e o mérito do Nelsinho em montar sua equipe. Mesmo com árbitros ruins, estamos ali perto da liderança, buscando a conquista do campeonato. Mas hoje (quinta-feira) não atuamos bem, o arbitro foi muito mal e o Sport foi muito bem. Deu no que deu”, conformou-se.