Petronilo Oliveira
petronilo.oliveira@jornaldebrasilia.com.br
Quando se fala de Ceilândia automaticamente surgem na cabeça os nomes de Dimba, Allan Delon, Cassius e do técnico Adelson de Almeida. Entretanto, o trio ofensivo e o comandante não chegariam à decisão do Candangão, que começa a ser decidida hoje às 15h30, no Serra do Lago, diante do Luziânia, sem uma consistente espinha dorsal.
Além de zagueiros entrosados, um jogador tem se destacado pela sua eficiência. Pode até não ter a bagagem e o poder de decisão dos medalhões, mas o polivalente Liel tem sido fundamental para que o Gato faça uma boa campanha.
Único titular nos 15 jogos do clube dono da melhor campanha geral do Candangão-2012 – fator que dá ao Ceilândia as vantagens de decidir em casa e jogar por dois empates contra o Luziânia –, o polivalente jogador ficou empolgado com a procura do Jornal de Brasília: “Tudo bem que Dimba, Allan Delon e o cabeça (Cassius) representam mais de 50% do time do Ceilândia, mas finalmente alguém vem falar comigo”, divertiu-se.
Ele é figura constante na escalação de Adelson, pois desempenha bem tanto a função de zagueiro como a de volante. Isso serve até mesmo para Adelson conseguir disfarçar o time, mesmo quando a trupe entra no gramado.
Aos 22 anos, o atleta foi revelado pelo Brasiliense, onde trabalhou com Adelson de Almeida entre 2007 e 2009. “Fomos três vezes campeão candango da base”. A emoção de Liel ao dar entrevista se deve pelo fato de ele ter dado a volta por cima em sua carreira.
Após ser campeão candango em 2010 pelo Ceilândia, ele passou maus bocados no ano seguinte. “Fui fazer uma artroscopia no joelho e o doutor viu que o ligamento cruzado do meu joelho esquerdo estava estourado. Fiquei um ano sem jogar. Era só academia, fisioterapia. Um saco”, desabafa.
Adelson de Almeida iniciou o ano como gerente de futebol do Gato. O primeiro técnico foi Marquinhos Bahia. “Ele dizia que eu estava fora de forma e concordo com ele, mas o Marquinhos foi demitido ainda na pré-temporada. Depois veio o Ricardo (Oliveira) e eu fiquei muito p… com ele. Nem me levava para os amistosos, mesmo eu treinando bem. Aí foi sacanagem mesmo”, disparou Liel.
Decepção e resposta
A primeira frustração de Liel na temporada ocorreu na decisão da Taça JK, quando o Gato perdeu justamente para o Luziânia. “Nesse mesmo dia, minha filha Natali nasceu. Uma notícia péssima e outra excelente no mesmo dia. Mas não vou negar que estou engasgado com o time deles. Vou entrar com sangue nos olhos. O Ceilândia será bicampeão. Pode anotar aí e depois me cobrar”, afirma Liel.
Durante a semana, o atacante do Luziânia Nelisson deu uma entrevista ao JBr, quando prometera fazer pelo menos três gols nas duas partidas decisivas diante do Ceilândia. “Ele pode falar o que bem entender. É bom jogador e rápido. Mas sei bem como marcar esse tipo de jogador. O Edicarlos (Sobradinho) é parecido. Rápido, vai pra cima. Fez um gol contra a gente (na decisão do segundo turno). Mas a receita é não dar espaço para esse tipo de jogador. Se fizermos isso lá atrás, certamente nosso poderio ofensivo é melhor do que o do Luziânia. Quer comparar Allan, Dimba e Cassius com o ataque deles?”, indagou, de forma provocativa o polivalente atleta.
Mesmo sendo jogador de defesa, Liel levou apenas dois cartões amarelos no Candangão-2012.