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Futebol

Letras vão dos rádios para os estádios

Arquivo Geral

06/10/2013 7h08

No início da semana, o Celtic foi derrotado dentro de casa pelo gigante Barcelona por 1 x 0. Até aí nada de diferente, não fosse mais uma vez, a festa promovida por sua apaixonada torcida. Antes do início do jogo, os fãs erguiam seu cachecol e entoavam uma canção em homenagem ao clube, que ecoava por todo o estádio. 

 

 A canção em questão chama-se “You’ll Never Walk Alone”, algo como “você nunca caminhará sozinho”, e é uma tradição nos campos pelo mundo a fora, principalmente na Europa. A música foi composta por Richard Rodgers e Oscar Hammerstein II, por volta da década de quarenta, para seu musical chamado Carousel, e em 1945 foi interpretada por Frank Sinatra. Mas como é de costume no mundo do futebol, não se pode creditar a originalidade musical aos torcedores escoceses. 

 

Com uma mensagem de cunho otimista, de encarar os problemas e nunca desistir, a música ganhou seu espaço nos estádios na década de sessenta, quando a banda de rock Gerry & the Pacemakers, de Liverpool (mesma cidade dos legendários Beatles), gravou a antiga canção. Ao atingir o topo das principais rádios britânicas, logo a torcida local adotou a música, sempre cantando antes e após cada jogo do Liverpool. A importância de “You’ll Never Walk Alone” é tamanha para os Diabos Vermelhos, que o título está estampado em seu emblema desde 1992, ano de comemoração do centenário do clube, juntamente com uma referência a arte estampada nos portões de seu estádio, o Anfield.

 

De hino a canto mundial 

 

Além de ser considerado um dos hinos do clube inglês, “You’ll Never Walk Alone” é também por muitos, vista como uma das primeiras músicas já compostas, utilizadas por torcedores de um clube de futebol.  Prova disso é que a cada ano, diversos clubes adotam a canção pelo mundo a fora. 

 

Além do escocês Celtic, Borussia Dortmund, da Alemanha, o Milan, da Itália, e até o japonês FC Tokyo são algumas das agremiações que hoje já praticam o ritual antes e depois de cada jogo.

 

Ritmo brasileiro ganha os palcos do resto do mundo

 

Atualmente, os torcedores têm inovado bastante na hora de apoiar seu time do coração. Se antes os cantos motivacionais eram embalados mais pelos ritmos e determinadas melodias, hoje, as torcidas buscam nas “paradas de sucesso”, paródias para empurrar os jogadores em campo. 

 

Desde clássicos como o “Pelados em Santos” do Mamonas Assassinas, primeiramente idealizada pela torcida do Internacional até músicas internacionais como “I love you baby” composta por Glória Gaynor, mas que nas arquibancadas do Maracanã se tornou o famoso hino de “Vamos Flamengo”, no hexacampeonato de 2009. 

 

Frequentador de estádios, o torcedor Vascaíno César Oliveira, lembra que sua torcida é famosa por realizar paródias, a última feita sobre a música “Anna Julia” da banda de rock Los Hermanos. “Eu gosto das paródias. São melodias que a maior parte da torcida já conhece. Facilita, inclusive, para os torcedores decorarem as letras”, comentou, ele que irá ao Mané Garrincha hoje à tarde.

 

Brasil mundo a fora

 

De Ivete Sangalo (a música Sorte Grande recebeu uma paródia da torcida Rubro-Negra com o clássico grito de “Festa na favela”) à banda pop Roupa Nova (a torcida gremista eternizou a clássica música Whisky a Go-go com o título de “Geral do Grêmio”), os torcedores que preferem ser criativos ao invés de brigões.

 

 Mas talvez essa criatividade provenha dos ritmos brasileiros tão apreciados pelo mundo afora. Em todo globo é possível encontrar torcidas que utilizam músicas tupiniquins para realizar suas próprias paródias. Como por exemplo, a torcida do sueco Djurgardens que utiliza o famoso “Rap das Armas” que ganhou o mundo na trilha sonora do filme Tropa de Elite.  (M.E.P)

 

Saiba Mais

 

A “Rainha dos baixinhos” no Brasil, Xuxa fez muito sucesso também na américa latina, principalmente na Argentina. Por lá, sua famosa música “Ilariê” chegou aos estádios por meio do Velez Sarsfield, sucesso nas arquibancadas.

Além de serem os inventores dos futebol, os ingleses também se mostram inovadores na hora de torcer. É comum cada jogador de clube britânico ter sua própria  paródia de hits das rádios. 

 

Um exemplo disso é a torcida do Arsenal que para homenagear um de seus atacantes, o francês Olivier Giroud (em grande fase), se inspirou no hino hyppie da década de sessenta, “Hey Jude”, dos Beatles.

 

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