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Futebol

Legado maldito de Grondona, herança deixada por seu ex-dirigente

Arquivo Geral

01/12/2014 8h35

Thiago Henrique de Morais, 

Especial para o Jornal de Brasília

Em um certo dia, um dirigente de grande importância no futebol de um país teve uma ideia maluca. “Por que não beneficiar os times de menor escalão? Vamos então criar a Primeira Divisão com 30 clubes”. 

O pensamento em questão é uma suposição, mas a história é real. A federação da atual vice-campeã do Mundo, a Argentina, promoverá em 2015 um dos maiores inchaços em um torneio nos último anos. 

Simplesmente 10 equipes conquistarão o acesso da Segundona ao fim deste ano.  

A ideia do inchaço foi de Júlio Grondona, presidente da Associação de Futebol Argentino (AFA) por quase 30 anos e que veio a falecer meses atrás. Quando tal torneio foi proposto por ‘Don Julio”, nenhum clube questionou, como respeito ao mandatário. 

Mas com a morte de Grondona, em julho desse ano, o seu ‘legado’ gerou críticas, revoltas e muita confusão na Argentina. Nos últimos dias, os presidentes dos principais clubes do País, Daniel Angelici, do Boca Juniors, e Rodolfo D’Onofrio, do River Plate, armaram uma virada de mesa contra o inchaço, torneio já programado para fevereiro do ano que vem. 

Em reuniões secretas, os cartolas se encontraram com o presidente interino da AFA, Luis Segura, para tentar convencê-lo que o inchaço não era possível.

Curiosidade

Algumas peculiaridades

1 Poucos rebaixados:   Nesta primeira temporada, a começar em 2015, 30 times brigarão contra duas vagas da zona de rebaixamento, que será feita pela média dos últimos campeonatos, como acontece nos dias de hoje. No primeiro semestre de 2016 subirá para três rebaixados e em 2017 para quatro. 

2 Dois campeões: Nas últimas temporadas, o campeonato argentino era dividido em dois torneios: Apertura (depois virou Inicial) e Clausura (virou o Final). Assim, havia dois campeões por ano na Argentina. Nas últimas duas temporadas foi criado um supercampeonato, uma final em jogo único com os dois campeões, mas que acabou não vingando.

Verba causa confusão

Além de gerar problemas no repasse de verbas do governo para o projeto “Fútbol Para Todas” (que consiste em transmissões estatais dos campeonatos e investimento nacional diretamente nos clubes), o novo calendário não agradava em nada aos clubes. 

Atualmente, o futebol argentino é adaptado ao calendário europeu, assim como os de vários clubes da América do Sul, como Colômbia, Chile e Uruguai. Tudo isso em vão. 

Para revolta dos grandes, o desejo de um campeonato no calendário europeu só acontecerá a partir de 2016. Até lá, muita confusão está for vir. 

Regras confusas

O regulamento do próximo torneio ainda não está redigido. Mas na última terça-feira, decidiu-se pelo torneio largo, com uma competição entre 15 de fevereiro e 8 de novembro de 2015. Todas as equipes se enfrentam entre si em apenas um turno -29 rodadas- além de uma rodada extra de clássicos. 

Os dois primeiros estarão garantidos na Libertadores. A última vaga viria de um torneio envolvendo o 3º ao 18º colocado. 

Sem rebaixamento de clubes por 18 meses

Como o atual Torneio de Transição não contará com rebaixamento e somente com acessos, os times que conquistaram o acesso ao fim do último semestre terão vaga garantida na elite por 18 meses. 

Isso porque a degola só acontecerá ao fim do torneio de 2015 para apenas duas equipes. E isso através do sistema de promédios, onde é feita a soma dos últimos torneios dividido pelo número de jogos disputados. As piores médias são punidas com o rebaixamento. 

Mas, por muito pouco isso não aconteceu. A ideia era que não acontecesse esse torneio largo já em fevereiro, por pressão dos grandes, mas somente a partir do meio do ano que vem. 

Isso acarretaria um prejuízo aos times das divisões inferiores, que disputariam seus torneios por 18 meses. Além disso, os clubes que já estão na elite, só cairiam daqui a dois anos. Com a definição do torneio largo, esse prazo foi reduzido em seis meses para os times que hoje estão na elite. 

Problemas à vista

A partir de 2016, mais uma nova confusão. Para se adequar novamente ao calendário europeu, haverá um torneio curto no primeiro semestre de 2016, com 30 equipes – duas delas recém promovidas.

Ao fim deste campeonato, haverá três rebaixamentos e apenas um acesso. Assim, para a temporada 2016/17, a ideia é que se tenha 28 clubes na primeira divisão. A partir de então, haverá ao fim de cada temporada quatro rebaixamentos e dois acessos, até que se chegue ao número de 22 equipes. Para o presidente do Boca, Daniel Angelici, a mundança é uma péssima idéia. “Por omissão aprovamos um torneio que não sabíamos como seria jogado. Economicamente é um dano muito alto jogar nove meses devido a janela de transferência européia”, destacou o presidente em entrevista ao Olé, no início deste mês.

Na elite, mas sem voz

Os clubes das divisões de acesso que serão promovidos ao fim desta temporada, desejam, além do acesso, uma posição mais forte nos conselhos da AFA. 

Tal fato tange o direito ao voto para escolher o novo presidente da entidade, em outubro de 2015. A intenção dos pequenos é que se ganhe uma representatividade no quadro, além de exigirem uma maior cota do direito de transmissão. 

Atualmente, 50 clubes ou federações têm direito a voto para a presidente da AFA, sendo eles representados por presidentes ou vice-presidentes. A intenção dos pequenos é que o número passasse para 60 votantes, devido aos 30 clubes na Primeira Divisão, com cada um tendo direito a um voto.

Contudo, os clubes que subiriam nesta temporada não terão o mesmo direito para as eleições de 2015. Eles estão enquadrados aos times que continuarão disputando a B Nacional, que tem um direito de escolher oito representantes. 

Desta maneira, os 10 clubes ficariam entre os demais 30 votos, que são divididos entre as sete ligas regionais e as outras cinco divisões do País. Tais divisões, entretanto, contam apenas com um número de representantes, a depender do grau da divisão. 

Saiba mais

Desde 2009, o Governo argentino tomou para si os direitos de transmissão dos campeonato nacionais, assim como a da Copa do Mundo e das Olimpíadas. 

Com isso, se criou o Fútbol Para Todos, que além de transmitir os campeonatos, repassaria verbas aos clubes dos cofres do Governo. 

Especula-se que já foram gastos 4 bilhões de pesos nestes cinco anos. O Governo diz que não chegou aos 250 milhões de pesos.

Antes os direitos pertenciam ao Torneo y Competencias, do Grupo Clarín, um dos maiores opositores do governo, que só transmitiam os jogos pela TV paga.

Hoje, todos os jogos da Primeira Divisão e os principais a Segundona são transmitidos pela TV Aberta, e raramente são num mesmo horário. 

Por isso, as rodadas começam na sexta-feira e terminam na segunda-feira.

24 meses é o tempo que os 20 times atuais permanecem na elite. Dez times subirão da Segundona deste ano para a elite argentina em 2015.

Time do Papa goleia

O San Lorenzo deixou sua torcida com grandes esperanças para disputar o Mundial de Clubes da Fifa. O time do Papa Francisco se despediu de seu estádio com uma goleada de 4 x 0 sobre o Estudiantes, pela penúltima rodada do Campeonato Argentino.

A vitória do atual campeão da Libertadores, entretanto, não quis dizer muita coisa para a competição nacional, já que o time  não vai bem. Com o resultado, o San Lorenzo soma 23 pontos e está na 11ª posição, enquanto o Estudiantes tem 28 e aparece na sexta. 

Na última rodada, o time do Papa pegará o Vélez, fora de casa, e depois viajará para a disputa do Mundial Interclubes, no Marrocos.

O San Lorenzo estreia no torneio da Fifa no dia 17 de dezembro, pela semifinal, contra o vencedor das quartas de final entre Entente Sportive Sétifienne, da Argélia, e quem passar da eliminatória entre Auckland City da Nova Zelândia e Moghreb Athletic de Tétouan, cidade do país que sedia a competição internacional.

Os gols da vitória no Nuevo Gasómetro foram marcados por Ortigoza (duas vezes), Matos e Buffarini. Destaque da equipe na Libertadores, o meia Romagnoli está sem jogar há um mês por por causa de uma lesão muscular e está tentando se recuperar a tempo de disputar o Mundial.

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