Os coros revoltosos de torcedores e as pichações no muro do CT Rei Pelé trouxeram a falsa previsão de que a tarde desta sexta-feira seria agitada para o time do Santos. O único “incidente” do dia, no entanto, foi uma momentânea pane no sistema elétrico da sala de imprensa do local. “Ih, não pagaram a luz. Contenção de despesas”, brincou o técnico Emerson Leão, esbanjando serenidade quando falava da situação da equipe.
Na porta de entrada do CT, ao lado do muro mais uma vez repintado de branco por funcionários do Santos, um segurança já avisava quem entrava que o clima era mesmo de calmaria. No gramado, estavam apenas os jogadores que não participaram da derrota para o Juventus. Leão, enquanto os supervisionava, encontrava tempo para conversar demoradamente com jornalistas e sorrir.
Até os protestos da madrugada não escaparam da ironia do treinador, que já havia classificado as pichações como “pagas” por algum desafeto. “Tudo que é repetitivo não tem mais graça. Vamos falar de um fato novo”, primeiro evitou Leão, antes de dar uma explicação inusitada para o fato de os dizeres nos muros do CT sempre terem o ex-corintiano Betão como alvo. “Quem faz isso só deve saber escrever Betão. Patrik ou Wesley, ele não sabe”, gargalhou.
Em tom mais sério, Leão afirmou que os torcedores estão no direito de protestar, embora não saber dizer se o fazem com razão. “A ordem do dia é a realidade. Ela não é boa, mas não precisa ser definitiva. Tivemos uma derrota desagradável e, agora, tentaremos reverter essa situação”, pregou o técnico.