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Futebol

Lágrimas de jacaré

Arquivo Geral

14/10/2013 8h08

Criado em 2000, o Brasiliense conseguiu subir rapidamente até a principal divisão nacional. Porém, 13 anos depois, o time vive uma realidade melancólica. Derrotado, ontem, pelo Cuiabá, o Jacaré foi rebaixado para a quarta e última divisão do Campeonato Brasileiro.

 

Com uma campanha regular fora de casa e muito ruim dentro, o Brasiliense começou a Série C cambaleando – levou uma goleada de 5 x 1 do Sampaio Corrêa. O então técnico Márcio Fernandes não durou muito e Roberto Fonseca o substituiu. De comandante novo, o time evoluiu e chegou à última rodada com chances de passar de fase. Seis pontos em cinco jogos, porém, fizeram o mandatário do clube Luiz Estevão demitir o treinador e chamar o “bombeiro” Reinaldo Gueldini.

 

Em sua sexta passagem pelo clube e completando 100 jogos, nem mesmo ele conseguiu recuperar o moral dos jogadores. “Cheguei aqui e tínhamos levado 19 gols e feito o mesmo. Vim para apagar o fogo, mas desta vez não deu certo”, desabafou Gueldini, ao final da partida, depois de ouvir “poucas e boas” das arquibancadas do Serejão. 

 

 

Podia ser diferente

Um capítulo à parte na lamentável atuação do Jacaré foi protagonizado pelo artilheiro Washington. Quando o time ganhava a partida e poderia ampliar, o atacante desperdiçou um pênalti.

 

No fim do duelo que decretou o rebaixamento do Brasiliense, o camisa 9 estava completamente abatido por não poder contribuir com sua equipe, sendo pivô do lance que resume a participação do Brasiliense na série C: frustrante. 

 

“Num momento de decisão eu não converti o pênalti. Infelizmente, bati e errei. Está difícil falar”, resumiu o jogador, segurando as lágrimas. 

 

O treinador fez questão de defender seu atacante. “Não podemos culpar apenas o Washington. Quando um perde, perdemos todos nós”, minimizou Gueldini, bastante abatido.

 

Muro das lamentações

No dia das desculpas, o hino dos jogadores tinha como principal enredo a dificuldade da disputa no Grupo A. O primeiro rebaixado, o Jacaré, terminou a competição somente quatro pontos atrás do líder Santa Cruz e três do último classificado, o Sampaio Corrêa.

 

O atacante Jefferson Maranhão se esquivou e preferiu avaliar de forma positiva a participação do time no campeonato. “Fizemos um bom trabalho, mas em um grupo apertado como esse, não tivemos como classificar”, comentou o jogador, esquecendo-se que seu clube rebaixou para a quarta divisão.

 

Elivelto, que entrou na segunda etapa, participou de uma das milhares oportunidades de gol que o Jacaré teve para poder vencer o jogo, mas como todos os outros lances, a bola esbarrou no goleiro Emerson, o melhor em campo. “Não deu certo e agora vamos trabalhar e esperar que o Brasiliense venha forte no ano que vem”, disse.

 

Dificuldades passadas

Para o técnico Reinaldo Gueldini, a baixa qualidade técnica do elenco do Brasiliense foi um dos problemas na campanha ruim. ”Próximo passo é o Brasiliense se reestruturar, conseguir fazer um plantel com um pouco mais de qualidade, com jogadores mais rodados, para poder disputar os campeonatos nacionais”, disse o treinador.

 

Pela sexta vez no clube, o técnico acredita que a casa  do Brasiliense não tem mais o mesmo efeito que antigamente. “Há algum tempo o Jacaré não deixava ninguém sair vivo daqui. Hoje está fácil para o adversário.”

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