Se o torcedor do Cruzeiro tem motivos de sobra para comemorar a grande fase que seu clube está vivendo, é bom os torcedores dos clubes do Z-4, parte inferior da tabela, começarem a se preocupar de vez. Isso porque em todas as edições analisadas (desde 2006), ao menos dois clubes que terminaram a primeira etapa entre os quatro últimos foi rebaixado para a Série B.
Pior para o Náutico, com apenas oito pontos, a mais baixa pontuação até hoje de um clube ao final do primeiro turno. Nas últimas sete edições, quem esteve na lanterna do campeonato, ao final, caiu para a segunda divisão. As duas únicas vezes que um time que estava em último conseguiu sair dessa situação no segundo turno, ele terminou em penúltimo e acabou sendo rebaixado. Foram os casos de Barueri (2010), e América-MG (2011).
Risco iminente
Ao lado de Náutico, provável rebaixado deste ano, correm o risco Ponte Preta, São Paulo e Portuguesa. O retrospecto das equipes do lado debaixo da tabela não é bom. No último ano, todas que estavam no Z-4 neste momento, caíram. Com o passar do tempo, mais clubes que estavam nessa situação no meio do certame acabaram degolados.
Mas a situação ainda pode ser revertida. A Portuguesa, em 17º lugar, está somente a três pontos do primeiro fora da zona da degola. Além da proximidade, estes clubes também podem se ater a grandes arrancadas que dão um tempero ao Campeonato Brasileiro, como os casos de Goiás, Flamengo e Fluminense.
Aula de volta por cima
Uma das arrancadas mais incríveis do Campeonato Brasileiro ocorreu em 2009. O Fluminense ficou 27 rodadas na zona de rebaixamento. Para os matemáticos, a chance que o tricolor tinha de ser rebaixado era de 99%.
Cuca, que tivera o mesmo problema com o Goiás em 2003, foi um dos responsáveis pela salvação, que chegou após o tricolor carioca dispensar Renato Gaúcho, depois de uma série de maus resultados.
Os resultados começaram a surgir após uma vitória sobre o Cruzeiro, no Mineirão, por 3 x 2. O Fluminense não poderia mais perder, e Fred foi iluminado conseguindo virar a partida que chegou a estar 2 x 0 para o Cruzeiro.
Após isso, o tricolor ainda se manteve na zona de rebaixamento até a penúltima rodada, quando goleou o Vitória por 4 x 0 jogando em casa.
Na última partida, ainda com chances de cair, o tricolor carioca enfrentou o Coritiba, que era um adversário direto, no Couto Pereira. A partida terminou empatada por 1 x 1, salvando os tricolores do rebaixamento e empurrando o Coxa. O jogo ficou marcado pela briga generalizada que aconteceu ao final do jogo, quando a torcida invadiu o campo e quebrou o estádio.
Em 2010, o Grêmio ficou na zona do rebaixamento até a 18ª rodada, quando venceu o Guarani por 1 x 0. Depois disso, o clube gaúcho subiu até o G-4, quando conseguiu atingir a quarta colocação e de lá não mai s saiu. Diferentemente da passagem anterior no Fluminense, quando Renato Gaúcho foi o algoz, desta vez, o treinador foi o responsável pela arrancada gaúcha.
Vale tudo para evitar o descenso
Ponte Preta ainda tem um jogo, contra o Atlético-MG, atrasado da oitava rodada. Na penúltima colocação do Campeonato Brasileiro, com 15 pontos, a Macaca buscou a tranquilidade de Porto Feliz, onde se concentrará e treinará até a manhã de amanhã. A atitude da diretoria é uma tentativa de manter o elenco afastado da pressão da torcida e sair da zona incômoda.
Antes da derrota por 3 x 1 para o Internacional, alguns torcedores foram ao Centro de Treinamento da Ponte cobrar jogadores e comissão técnica, e houve princípio de confusão com os seguranças do clube.
“Temos que começar a vencer. Contra o Inter, fizemos o gol, trouxemos o torcedor para o nosso lado”, disse o atacante Leonardo.
Outro time em situação delicada é a Portuguesa. Depois de perder para o Grêmio, o técnico Guto Ferreira ironizou ao relembrar outros lances polêmicos contra o time. “Não sei se eu tenho um ímã que está atraindo isso, ou se é só coincidência”, disse o treinador.