Experiente, bem sucedido e envolvido em momentos importantes da história recente do Santos Futebol Clube, José Carlos Peres quer, aos 66 anos, assumir a presidência para literalmente mudar o rumo do clube.
Executivo no mercado financeiro por 36 anos, o hoje candidato à eleição de 6 de dezembro já desempenhou as funções de superintendente do Peixe, diretor da Federação Paulista de Futebol e diretor executivo do G4 Aliança Paulista.
Agora, Peres propõe uma administração profissional e radical em alguns aspectos. Acabar com a reeleição, alterar a função do Comitê de Gestão independente da mudança ou não no estatuto e até unir pessoas de diferentes posições políticas estão entre as principais propostas do candidato.
José Carlos Peres fecha a série de entrevistas da Gazetaesportiva.net com os cinco pleiteantes ao posto de presidente do alvinegro praiano para o próximo triênio.
Por que o senhor deseja ser presidente do Santos FC?
Fui convencido pelo grupo formado a partir da ONG Santos Vivo e pelo projeto que juntos viemos criando nos últimos dois anos. Acredito que minha vida profissional, tanto no futebol quanto fora dele, me credencia a isso. Acho que contribuí com minha luta de 10 anos pela unificação dos títulos brasileiros que restituiu ao Santos seis títulos Brasileiros, e com a criação da sub-sede, cedendo absolutamente sem custos a minha própria casa, no Pacaembu. Acumulei experiência importante no próprio Santos, na FPF e como CEO do G4 Aliança Paulista, empresa pertencente aos quatro grandes clubes de São Paulo.
Quais os principais pontos da sua proposta de governo?
Em relação ao estatuto, proporemos alterações para o fim da reeleição, da volta ao presidencialismo e da eliminação da cláusula de barreira (20%) para eleição ao Conselho Deliberativo, sendo que não concorrer à reeleição e ter um Comitê de Gestão com atribuições de ordem consultiva, são compromissos que assumo independente da aprovação desta proposta.
Na administração a prioridade é a sustentabilidade econômica, gastar menos do que se arrecada e gerar novas receitas, isso após auditoria profunda que nos revele o quadro atual em todos os seus detalhes.
É preciso unir o Santos FC, hoje muito fragmentado. Estaremos abertos às melhores cabeças, independente de posições políticas atuais. Institucionalmente, o Santos terá mais força junto a outros clubes, Federação, CBF, TV etc.
No futebol, trabalharemos para formar times competitivos – isso é vital para a economia do clube – que respeitem a “alma santista”, com times alegres, ofensivos e que valorizem as categorias de base.
O senhor é a favor da manutenção do Comitê Gestor nos moldes de hoje?
Não. Em nossa gestão o Comitê atuará como um Conselho de Administração tratando de assuntos importantes como planejamento estratégico e finanças, mas sem interferência direta no trabalho executivo cotidiano da presidência, superintendências e gerências.
Quais os planos para a Vila Belmiro?
A Vila é patrimônio do futebol mundial. Um templo sagrado e assim será tratada. Pretendemos prepará-la para o seu centenário pensando inclusive no seu potencial turístico. O grau desta intervenção, inclusive de uma possível ampliação, será definido por estudos de viabilidade e possibilidades de parcerias.
Construir uma nova Arena ou assumir o Pacaembu está no planejamento?
Alternar os mandos entre Vila e Pacaembu é uma necessidade imediata. A construção de uma nova arena dependerá de estudos profundos que faremos. Particularmente, penso que não ter uma arena será danoso ao clube a médio prazo, portanto, este assunto merecerá toda atenção. Se será numa nova arena em Santos (ou região), no Pacaembu reformado ou em outro lugar na Grande São Paulo, dependerá destes estudos e de uma ampla discussão com os sócios do clube. Não é uma decisão para o presidente tomar sozinho, os sócios serão ouvidos.
Voto à distância é uma boa alternativa para as próximas eleições?
Boa e necessária. Encaminharemos este projeto ao Conselho Deliberativo, após estudos que garantam a segurança do processo e em tempo hábil para que seja profundamente testado antes das próximas eleições.
O Santos FC vive uma séria crise financeira e já adiantou algumas cotas. O que o senhor pretende fazer para gerar receita e onde deseja investir?
Uma profunda auditoria será a primeira providência. Saber quanto devemos, a quem e o porquê. A partir daí, é necessária uma política de renegociação dessas dívidas.
O clube tem receitas muito tímidas provenientes de áreas importantes como marketing e bilheteria e, segundo auditoria recente, não sabe bem quanto fatura com licenciamento. São itens que necessitam de correção imediata de rumo e que podem gerar mais receita. Retomar o programa de sócios e, consequentemente, trabalhar para ampliação do número de associados, será assunto prioritário. Além disso, investir na infraestrutura das categorias de base é necessário e importante para geração de receitas futuras.
Na sua opinião, Leandro Damião foi um bom investimento feito pelo clube?
Até onde se sabe, não. Isso nada tem a ver com a fase ou qualidade do atleta. Respeito o profissional e torço para que recupere seu melhor futebol. O problema não está no jogador, mas no empréstimo de um valor altíssimo com juros em euros e sem proteção cambial. Imagina se houver uma desvalorização do real, por exemplo, o quadro fica ainda mais grave.
Na sua visão, o que aconteceu de melhor no Santos FC nos últimos anos?
O título da Libertadores, em 2011
E o que mais contribuiu negativamente para o mesmo período?
Dentro de campo, os vexames contra o Barcelona. Fora dele, deixamos de aproveitar o ciclo vitorioso para construir alicerces de sustentabilidade econômica. Hoje, a tendência é de que tenhamos diminuição de faturamento, voltando ao patamar de 2010, mas com uma dívida imensamente maior. Não podemos esquecer das transações polêmicas, em especial a de Neymar.