O técnico Dunga cumpriu a promessa de mandar a campo uma equipe ofensiva e o Brasil venceu o Chile por 3 a 0 na partida realizada no Estádio Nacional de Santiago, pela sétima rodada das Eliminatórias Sul-Americanas à Copa de 2010.
Com o resultado, os brasileiros subiram para a segunda posição na tabela, com os mesmos 12 pontos da Argentina, mas levando vantagem nos critérios de desempate. Já o Chile caiu do quinto para o sexto lugar.
Os chilenos tiveram mais posse de bola nos primeiros minutos, mas não conseguiram criar chances claras de gol. Um exemplo disso foi um lance envolvendo o habilidoso Alexis Sanchez. O atacante pedalou à frente do zagueiro Luisão, mas se enrolou e chutou muito longe da meta de Júlio César.
Só aos sete minutos, os donos da casa conseguiram ameaçar o gol do Brasil. O meia Arturo Vidal arriscou um chute de longa distância, mas Júlio César agarrou com segurança.
Já os comandados de Dunga conseguiram sua primeira finalização aos nove minutos, quando Robinho fez uma linda tabela com Luis Fabiano, invadiu a área, mas chutou em cima do goleiro Claudio Bravo.
Mas o Chile voltou a ameaçar aos 13 minutos. Após uma cobrança de escanteio, a marcação da zaga brasileira falhou e o atacante chileno Humberto Suazo recebeu livre, dentro da área. No entanto, o jogador perdeu um gol feito e chutou por cima.
O primeiro tempo foi marcado pelo alto número de faltas. Porém, o árbitro paraguaio Carlos Torres deu vantagem após um lance violento cometido pelo lateral-esquerdo Kléber. Na seqüência, o juiz consultou o auxiliar e deu, de forma equivocada, o cartão amarelo ao zagueiro Luisão, que não participou da jogada.
Após o protesto dos brasileiros, Torres consultou o quarto árbitro e consertou seu erro, punindo o jogador do Santos.
O longo tempo de paralisação serviu para esfriar o jogo, o que prejudicou os chilenos, que viviam um bom momento. E, logo na seqüência, o Brasil abriu o placar. Aos 20, Ronaldinho Gaúcho cobrou uma falta da intermediária e Luis Fabiano desviou de cabeça, enganando Bravo. Foi o décimo gol do atacante do Sevilla pela seleção brasileira.
Por pouco, Robinho não ampliou o placar no minuto seguinte. O novo jogador do Manchester City avançou pela direita, mas chutou por cima do gol.
Já pelo lado do Chile, os comandados do argentino Marcelo Bielsa continuaram finalizando sem capricho, como no chute de Suazo aos 27 minutos, que foi para fora.
O jogo continuou violento e o meia Diego levou um amarelo após fazer uma falta dura em Hugo Droguett. O lance foi um exemplo da vontade dos brasileiros, que mandavam na partida. A superioridade dos pentacampeões mundiais fez com que Bielsa mandasse o meia Jorge Valdivia para o aquecimento, ainda aos 33 do primeiro tempo.
Enquanto o ex-jogador do Palmeiras aquecia, o Brasil ganhou uma ótima chance para ampliar. Diego invadiu a área pela esquerda e foi derrubado pelo zagueiro Marco Estrada, aos 34. No entanto, Ronaldinho Gaúcho cobrou mal e Bravo mandou a bola para escanteio, incendiando o Estádio Nacional. Na seqüência, o lateral-direito Maicon cabeceou com perigo e o goleiro chileno fez outra defesa importante.
Mas a superioridade do Brasil foi premiada a um minuto do fim da primeira etapa. Luis Fabiano brigou pela bola e achou Robinho na entrada da área. O jogador revelado pelo Santos, sem marcação, chutou com força no canto de Bravo e marcou seu 16º gol pela seleção.
No intervalo, Bielsa queimou suas duas últimas substituições e pôs o atacante Jean Beausejour no lugar do meia Mark González, que atuava no ataque. Além disso, trocou Vidal por Roberto Cereceda. Na primeira etapa, o técnico já havia substituído Droguett por Valdivia.
Já Dunga foi obrigado a pensar em mudanças logo no primeiro minuto da etapa final, pois Kléber levou seu segundo cartão amarelo após uma cotovelada em Sanchez. Com a expulsão, o treinador brasileiro pôs o lateral-esquerdo Juan, estreante na seleção, no lugar de Ronaldinho Gaúcho.
Até os 14 minutos, nenhuma equipe havia chutado a gol e o nível da partida havia caído bastante. Jogando com um homem a mais, os chilenos passaram a pressionar e tentaram cavar vários pênaltis na área do Brasil, mas não tiveram sucesso.
A vantagem no número de jogadores durou apenas até os 17 minutos. Valdivia entrou de forma imprudente em uma dividida com Josué e Luis Fabiano. Carlos Torres não hesitou e sacou o cartão vermelho.
Aos 21, Diego lançou Luis Fabiano, que chutou fraco e desperdiçou a primeira grande chance de gol na etapa final. O atacante do Sevilla teve outra oportunidade três minutos depois, após tabela com Robinho, mas chutou em cima de Bravo.
O Chile ainda teve uma boa chance aos 30, após Juan derrubar Sanchez perto da meia-lua. No entanto, o meia Matias Fernandez cobrou mal e a bola foi para fora.
Luis Fabiano, o mais combativo jogador da seleção brasileira, balançou a rede pela segunda vez na partida aos 37 minutos. Maicon cruzou da direita e o ex-atacante do São Paulo matou no peito e chutou forte. O gol serviu para marcar o desempate com a Argentina na tabela, dando a vice-liderança ao Brasil.
Aos 42, Luis Fabiano foi substituído por Jô, que quase ampliou em sua primeira participação. O atacante recebeu de Robinho e chutou rasteiro, mas Bravo foi buscar no canto.
Na próxima quarta, os brasileiros vão tentar consolidar o bom momento ao receber a lanterna Bolívia no Engenhão. Já os chilenos vão encarar a Colômbia, no mesmo dia, em Santiago.
Ficha técnica.
Brasil: Júlio César; Maicon, Lúcio, Luisão e Kléber; Gilberto Silva, Josué e Diego (Elano, aos 33 minutos do segundo tempo); Robinho; Ronaldinho Gaúcho (Juan, aos sete min do segundo tempo) e Luís Fabiano (Jô, aos 42 min do segundo tempo). Técnico: Dunga.
Chile: Bravo; Jara, Medel e Estrada; Vidal (Cereceda, no intervalo), Carmona, Droguett (Valdivia, aos 39 min do primeiro tempo) e Fernández; Sánchez, Suazo e González (Beausejour, no intervalo). Técnico: Marcelo Bielsa.
Cartões amarelos: Kléber, Diego, Estrada, Luis Fabiano, Luisão, Beausejour, Gilberto Silva, Sanchez e Carmona.
Cartões vermelhos: Kléber e Valdivia.
Árbitro: Carlos Torres (PAR), auxiliado por seus compatriotas Manuel Bernal e Tiburcio Gauto.