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Futebol

Jacaré presidencial

Arquivo Geral

04/02/2013 9h07

Marcus Eduardo Pereira

marcus.pereira@jornaldebrasilia.com.br

 

 

Você seria capaz de imaginar o que une o Brasiliense aos Estados Unidos? Algum jogador americano? Uma parceria com uma empresa da terra do Tio Sam? Não! Nada disso faz o Jacaré do DF ter sotaque norte-americano. Na verdade, as únicas relações entre o país e a equipe de futebol de Brasília está curiosamente resumida a três nomes de ex-presidentes da potência mundial: Jefferson, Washington e Lincoln.

 

Considerado Pai da Pátria pelos americanos, George Washington foi comandante do Exército Continental na Guerra da Independência Americana, além de ser um dos responsáveis pela primeira constituição do país, que acabou presidindo entre 1789 e 1797.

 

Também na linha de frente e comandando a artilharia do Jacaré no campeonato, o homônimo do ex-presidente Washington leva a comparação com bom-humor. Ele acredita que a semelhança na luta por furar a defesa adversária os torna próximos. “Com certeza furar a defesa é a minha função. ”, garantiu Washington, que recebeu o nome após uma disputa entre o pai e a mãe. “Meu pai tinha um grande amigo e quis me colocar o nome de Washington para homenageá-lo”, contou o atacante, que, pela mãe, se chamaria Antônio.

 

Mas George Washington não agiu sozinho no processo de independência americana. Um dos principais autores do documento que tornava os EUA em país, Thomas Jefferson usou o vasto conhecimento em diversas áreas para ser lembrado até hoje. E, assim como na história americana, o Washington do Brasiliense recebe apoio de um Jefferson.

 

Mais uma vez, a disputa entre os pais gerou o nome do jogador. “Quando eu nasci, minha mãe queria que meu nome fosse Anderson, mas meu pai queria Jefferson. Nessa disputa, ele venceu e me deu o nome”, contou o camisa 6.

 

O último da lista é Abraão Lincoln. Curiosamente, também atacante, e homônimo do presidente que liderou os EUA durante a Guerra Civil Americana.

 

Cada um vive um momento diferente

Washington, Abraão Lincoln e Jefferson têm tido momentos diferentes no Brasiliense. Enquanto o primeiro passa por um momento de ascensão e afirmação, os outros dois ainda buscam se firmar como opções relevantes para o técnico Márcio Fernandes.

 

Há mais tempo na equipe, Washington é titular absoluto no ataque amarelo desde a saída de Frontini para o Volta Redonda-RJ, no fim do ano passado. E o papel de artilheiro vem sendo bem cumprido, já que, com dois gols, ele se firmou como o principal goleador da equipe de Taguatinga neste início de temporada. O centroavante, no entanto, foge de qualquer tentativa de colocá-lo como o principal jogador do Brasiliense.

 

“No futebol, você precisa da ajuda do coletivo para conseguir jogar bem. Não dá pra achar que será o mais importante de uma equipe. Tem espaço para todos terem sua participação”, afirmou o camisa 9 do Jacaré.

 

Jefferson, aos poucos, também vem conquistando a titularidade. Para tanto, ele reforça a necessidade de evoluir cada vez mais para comprovar em campo que realmente merece uma oportunidade entre os 11 iniciais. “Eu sou muito confiante naquilo que faço e o que gosto é de ser bem ofensivo. Mas, infelizmente, não tenho conseguido retomar essa confiança”, explicou.

 

Em sua visão, uma aclimatação melhor à cidade vai ajudá-lo a recuperar o bom futebol. Isso, no entanto, requer tempo. “Eu ainda não me adaptei ao clima da cidade. Quando cheguei aqui (em Brasília) fiquei bastante gripado, mas estou me acostumando com a seca de Brasília”, explicou o atleta, esquecendo que o DF está em seu período chuvoso nesta época do ano.

 

Luta por uma vaga

Já Abraão Lincoln ainda procura seu espaço no time. Vindo do Japão, onde atuava há quatro temporadas, aos poucos ele vem ganhando oportunidades para mostrar a que veio. Recentemente, ele recebeu elogios do técnico Márcio Fernandes por sua versatilidade – por poder jogar tanto centralizado quanto aberto pela pontas.

 

“Nos treinamentos que a gente fez, ele mostrou que pode sair da área. Então, dá para jogar com os dois centroavantes (Lincoln e Washington)”, disse o treinador ao site oficial do Jacaré.

 

Cabeça voltada para o clássico

Nem só de presidentes é composto o elenco do Brasiliense. E o resto do time já começa a projetar o clássico desta quinta-feira, contra o arquirrival Gama. Logo após o triunfo de sábado sobre o Capital, por 1 x 0, o goleiro Guto – jogador do grupo que há mais tempo veste a camisa amarela – mudou o foco inteiramente para o Periquito.

 

“Vamos trabalhar forte nesses dias que antecedem o clássico contra o Gama pois todos sabemos que o tipo de partida onde todo mundo quer ganha”, comentou o camisa 1 do time de Taguatinga.

 

Outro que já pensa no próximo compromisso pelo Campeonato Candango é Elivelto. Revelado nas categorias de base do Alviverde, ele conhece bem a pressão que a torcida gamense impõe sobre os adversários. O jogador fez questão de ressaltar, no entanto, que os gritos das arquibancadas não podem influenciar negativamente os atletas do Jacaré.

 

“Todo mundo sabe que jogar lá é complicado. Mas temos que encarar isso como motivação. Clássico é clássico e não tem favorito”, comentou o jovem de 20 anos ao site oficial do Brasiliense.

 

Uma das características de Elivelto é a polivalência. Meia de origem, ele foi deslocado para a lateral esquerda, uma posição em que já atuou no passado. Ele aposta neste fator para ser mantido entre os titulares pelo técnico Márcio Fernandes. “O Márcio sabe que aonde ele puder contar comigo estarei preparado”, prometeu.

 

Exame

O lateral-direito Bocão será reavaliado hoje para saber se a pancada no joelho direito que o tirou da partida contra o Capital ainda no primeiro tempo irá deixá-lo fora do clássico contra o Gama. A princípio, ele não preocupa os médicos.

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