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Futebol

Indiciados pela tragédia na Fonte Nova revelam indignação por acusações

Arquivo Geral

25/01/2008 0h00

A conclusão do inquérito da Polícia Civil sobre a queda da arquibancada da Fonte Nova em novembro, que causou a morte de sete pessoas, indiciou quatro autoridades esportivas por homicídio doloso (com intenção de matar), com pena que pode chegar a 210 anos de detenção.


 


E a reação de indignação foi comum a todos os envolvidos, principalmente no diretor geral da Superintendência de Desportos do Estado da Bahia (Sudesb), Raimundo Nonato Tavares, o ex-meia Bobô; e o presidente da Federação Baiana de Futebol (FBF), Ednaldo Rodrigues.


 


A revolta da dupla – indiciada ao lado de Virgilio Elísio, diretor técnico da CBF, e Petrônio Barradas, presidente do Bahia (ambos por homicídio doloso), e o engenheiro da Sudesb, Nilo Santos Júnior (homicídio culposo, sem intenção de matar) – se concentra na delegada Marilda Marcela da Luz, responsável pela medida contra os responsáveis.


 


“A Bahia inteira comenta isso, todos – e quando falo todos, falo da sociedade – estão indignados. Foi uma surpresa para mim e para todos. Ficamos surpresos e decepcionados com esse pensamento da delegada. Na verdade, isso é um entendimento dela, mas a realidade está muito longe disso”, comentou Bobô.


 


Ednaldo Rodrigues também se eximiu de culpa do acidente ocorrido no duelo sem gols entre Bahia e Vila Nova-GO pela Série C do Brasileiro. “Tanto a FBF quanto o seu presidente tem convicção de que não atuaram com culpa e muito menos dolo, cumprindo a todas as obrigações que são impostas pelo Estatuto do Torcedor para as entidades de administração, ainda que se tratasse de uma competição organizada pela CBF”, declarou em nota divulgada no site da FBF.


 


Bobô, por sua vez, também usa como defesa o laudo divulgado pela Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia (UFBA) nesta sexta-feira, constatando que houve falha na construção da Fonte Nova, com um declive no assento da arquibancada e a falta de estrutura para suportar a movimentação da torcida.


 


“A Politécnica é uma das universidades mais importantes da Bahia e define exatamente o que aconteceu, mostrando que na realidade era uma questão estrutural. Foi um problema construtivo da Fonte Nova, que foi construída em 1951. A dinâmica de quando o estádio foi preparado é diferente de como funciona hoje, com as torcidas organizadas. E ainda tem vários laudos a respeito do problema, não tem como questionar”, afirma o diretor da Sudesb, assegurando que a manutenção era feita no estádio normalmente.


 


O ex-meia, inclusive, pede que o Brasil use o caso da Fonte Nova para se adequar à movimentação das torcidas. “Isso serve de alerta para todos os estádios do país. Não se tinha noção dessa questão. Não se vê essa questão no Brasil”, conta Bobô.


 


O dirigente relaciona a tragédia também à corrosão constatada na Fonte Nova, que já havia sido eleita pelo Sinaenco (Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva) uma das piores arenas brasileiras. Bobô, contudo, aponta um “hábito” do torcedor brasileiro como responsável pela má qualidade de alguns estádios.


 


“Essa ação dinâmica das torcidas está associada a um defeito construtivo e evidentemente também às corrosões, que são reações normais da chuva e até da urina humana. Pessoas costumam urinar na própria arquibancada, é um habito que se tem no Brasil. Mas não tenho conhecimento técnico e não foi isso que chegou a Politécnica. Houve erro construtivo”, analisou o ex-craque do Bahia, sempre assegurando que a manutenção na Fonte Nova ocorria normalmente.


 


Mais indignação: Além de Bobô e Ednaldo Rodrigues, os outros dois indiciados por homicídio doloso também se dizem certos de suas inocências na tragédia da Fonte Nova.


 


“O Bahia é locatário do equipamento. O Esporte Clube Bahia e muito menos a minha pessoa física, não tivemos intenção de matar e não temos responsabilidade sobre a lamentável tragédia que ocorreu na Fonte Nova”, comentou o presidente do clube, Petrônio Barradas.


 


“Não há hipótese da CBF e da minha pessoa ser condenada. Cuidamos com todo rigor e toda responsabilidade sobre essa questão”, completou Virigilio Elísio, diretor técnico da Confederação.

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