“Ascensão e queda são dois lados da mesma moeda”. O verso eternizado na voz de Humberto Gessinger e os Engenheiros do Hawaii reflete a situação do Brasiliense.
Atualmente sem vaga garantida em qualquer divisão do Campeonato Brasileiro, o clube celebrava, há exatos dez anos, o inédito acesso à primeira divisão do país.
Em um dia onde o Serejão estava completamente tomado de torcedores e enfeitado com faixas amarelas e brancas, uma vitória por 1 x 0 sobre o Fortaleza, com gol marcado pelo zagueiro Durval, atualmente no Sport, nos acréscimos do primeiro tempo, garantiu aos comandados de Edinho a façanha de integrar a elite com apenas quatro anos de existência.
Lembranças
Para o goleiro Donizeti, atleta que tem grande identificação com a equipe e já defendia o Jacaré na campanha do vice-campeonato da Copa do Brasil, dois anos antes, um acesso a uma divisão superior traz grandes emoções, mas naquele dia 4 de dezembro, foi tudo diferente.
“Foi um dia de muita tensão, muita ansiedade. Nosso pensamento era só de não deixar a definição da vaga para a última rodada. Quando acabou o jogo, foi como se aquele enorme peso saísse dos nossos ombros”, recorda.
Lembrança semelhante teve o ex-zagueiro Jairo. Ele também recorda a ansiedade para o início do jogo. “Foi um dia que demorou a chegar. A hora do jogo também demorou. Nós sabíamos que a vitória nos daria o acesso antecipado. Depois que ganhamos, a semana seguinte foi tranquila porque o acesso já estava garantido”, conta.
Segundo Donizeti, o feito de 10 anos atrás rende frutos até hoje. Torcedores que o encontram pela cidade fazem até certa confusão sobre o atual clube do arqueiro. “Muita gente passa por mim na rua e pergunta se eu sou aquele goleiro do Brasiliense. Poucos são os que lembram que estou no Sobradinho”, revela.
“Aquele era um grupo muito bom e a emoção do acesso foi muito grande”, elogia Jairo, que fez parte da comissão técnica do time neste ano.
Começar do zero novamente
Dez anos depois da festa do inédito acesso, o Brasiliense vive seu pior momento desde a criação, em 2000. No segundo semestre, o time disputou a Série D do Campeonato Brasileiro.
Com um elenco forte, a equipe chegou a ficar dez jogos sem perder, antes de ser derrotada pelo Brasil de Pelotas (RS), no jogo de ida das quartas de final da competição. Na partida de volta, nova derrota, desta vez nos pênaltis.
O revés significou o fim da linha no certame e a chance de estar na Série C de 2015 escapou por entre os dedos.
Sem um lugar na Terceira Divisão, o Brasiliense, obrigatoriamente, terá que ser campeão candango para tentar novamente o acesso – o Distrito Federal tem direito a apenas uma vaga na Série D em 2015.
Para os jogadores que estiveram na empreitada deste ano na quarta divisão nacional e não conseguiram o tão sonhado acesso, o ano de 2015 terá como desafio o renascimento.
“A gente não pode ver o fato de não termos vaga garantida como um incômodo porque isso pode acabar nos atrapalhando, mesmo que de maneira indireta. Tudo tem sacrifício, suas dificuldades e obstáculos. Um time vencedor surge exatamente nessas horas e estamos preparados para o desafio. Sabemos que se fizermos o que estamos fazendo, vamos conquistar nosso objetivo”, garante o zagueiro Fábio Braz.
Comparações
Com a opinião abalizada por quem conhece o ambiente do Brasiliense como jogador e como membro da comissão técnica, Jairo acredita que o clube pode, em breve, estar de volta ao cenário do futebol nacional.
“Esse ano, a campanha tinha tudo para dar certo. Hoje em dia, o Brasiliense tem muito mais estrutura. É questão de tempo pro time se reerguer e conquistar acesso. O Brasiliense é time para jogar pelo menos na Série B e brigando para chegar à Primeira Divisão.”
O goleiro Donizeti, por sua vez, demonstra tristeza com o atual momento vivido pela ex-equipe.
“A melhor fase do time foi entre 2002 e 2005. É uma situação muito triste e ruim para todos. Brasília tem direito a uma vaga apenas, enquanto outros estados ficam com dois representantes”, frisa o goleiro do Leão da Serra.