Vicente Melo
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Foram 11 anos longe da seleção brasileira, mas Luiz Felipe Scolari voltou ao comando da equipe nacional com o mesmo discurso de amor à camisa e comprometimento que pregava em 2001. Além disso, primou pela experiência em detrimento à juventude em sua primeira convocação no retorno à amarelinha, mostrando que terá uma linha de trabalho muito diferente de seu antecessor, Mano Menezes. Tudo em nome do hexa.
“Nós temos que assumir essa responsabilidade. É a segunda Copa do Mundo no Brasil e temos que ganhar. Esse é o nosso desafio. Nós nos propusemos a organizar a Copa, então temos que ganhar”, arrematou o comandante da seleção na entrevista coletiva após anunciar os 20 convocados para o amistoso de 6 de fevereiro contra a Inglaterra, no Estádio de Wembley, em Londres (confira no quadro ao lado).
O discurso de Felipão foi contundente. Bravata ou não, ele chamou a responsabilidade de formar um time campeão a partir do próximo jogo. Conhecedor profundo do ambiente da seleção – e da pressão popular – ele chamou a responsabilidade para si.
“Nós só jogamos para sermos campeões e a torcida pode cobrar isso. Essa é a nossa mentalidade”, avisou o treinador.
Comprometimento
É na junção entre juventude e experiência que Felipão aposta para formar uma vez mais a “família Scolari”, que deu o pentacampeonato mundial ao Brasil, em 2002, na Coreia do Sul e no Japão. E o treinador já elegeu quem serão os líderes deste time, sendo um representante de cada geração do escrete canarinho: Neymar e Ronaldinho.
Questionado sobre o que esperava da dupla, o treinador foi bastante claro. A produtividade em campo será fundamental, é óbvio, mas a postura deles fora das quatro linhas também terá muita importância para formar uma equipe forte.
“Quero o que todos nós queremos: que eles joguem o que sabem jogar. São craques, e quero que eles joguem. Quero também comportamento, atitudes com a camisa da seleção dentro e fora de campo. Responsabilidades também. Não precisa ter 40 anos pra ser responsável”, pontuou o comandante.
Montagem do elenco em 2013
Os incontáveis testes promovidos pelo então técnico Mano Menezes acabaram. Ao menos foi o que Luiz Felipe Scolari deu a entender ontem. Até porque o tempo urge para a Copa das Confederações – em junho. No evento pré-Copa do Mundo, o treinador projeta já ter uma ideia bastante clara de qual será o grupo que irá em busca do hexacampeonato mundial em 2014.
No bate-papo com os jornalistas após a convocação para o amistoso contra a Inglaterra, Felipão ressaltou que terá muito pouco tempo para conhecer os jogadores. Sendo assim, o time que for se formando durante este ano deverá ser praticamente o mesmo que entrará em campo na estreia do Mundial no Estádio Nacional Mané Garrincha, em Brasília.
“Nesse ano é que vamos ter os principais jogos e ter uma possibilidade de organizar a equipe. Em 2014, um (jogo) só. Vamos escolher os jogadores praticamente todos em 2013”, avisou o treinador.
Sendo assim, ser chamado para a seleção brasileira, mesmo que em um estágio inicial deste novo trabalho, é um baita incentivo para os jogadores. Entre 20 convocados ontem, havia retornos e surpresas. As voltas de Ronaldinho Gaúcho e Hernanes eram esperadas. Júlio César é uma aposta pessoal de Scolari. Entre as novidades, o zagueiro Miranda e o lateral-esquerdo Filipe Luis. Mas um nome saltou aos olhos do público: Dante.
Surpresa grande
O zagueiro do Bayern de Munique vem fazendo boa campanha com o time alemão, mas é desconhecido da maioria dos torcedores brasileiros. Revelado no pequeno Galícia-BA, o baiano de 29 anos comemorou a oportunidade de defender a seleção brasileira pela primeira vez na vida.
“Agora espero trabalhar forte, chegar lá e aproveitar a oportunidade. Que esta seja a primeira de muitas convocações”, disse o defensor ao GloboEsporte.com.
Questionado sobre o chamado do defensor, Felipão foi bastante claro. Admitiu não conhecer o jogador e quer aproveitar o pouco tempo que terá com o jogador para conhece-lo mais de perto e conferir se vai poder contar com Dante no futuro.
“É muito pouco tempo, mas temos que observar o comportamento dele na seleção. Vamos ver se ele tem a possibilidade de ficar no grupo principal”, confirmou Luiz Felipe Scolari.